quarta-feira, 18 de novembro de 2015

DILMA REAGE: DIZ NÃO A LULA, ENQUANTO O PAÍS AFUNDA - Rafael Brasil




Enquanto o país afunda, sobretudo pela falta de projetos, a briga no PT é grande. Lula queria mandar em tudo, indicando o ministro da economia, e cabuloso e vaidoso, ninguém sabe porque, Henrique Meireles. Dilma fincou o pé em Lewy, e está certa. Mantém o que resta de autoridade no seu cada vez mais intenso isolamento político e distanciamento da sociedade diante da crise crescente.
É até chato ter que falar dessa gente. Mas simplesmente eles estão no poder, e esperam mantê-lo até as próximas eleições presidenciais. O povo aguenta. Eu mesmo não aguento mais tanta safadeza e incompetência administrativa, e o pior: a absoluta falta de projetos.
O projeto do PT acabou quando a economia, previsivelmente afundou. Porém o aparelhamento do estado remonta a época da ditadura militar. O país está sem educação e o estado está inchado, ineficiente e por essas e outras, falido. É preciso reformá-lo radicalmente enfrentando os enormes poderes corporativos. O povo não aguenta mais o estamento burocrático, que suga tudo da nação desde tempos imemoriais.
Sempre afirmei que o Brasil precisaria de sua segunda transição. A democrática  foi feita, mas falta o aperfeiçoamento das instituições republicanas e democráticas. Reforma política, eleitoral e do estado. Além do judiciário, e tudo o mais. O petismo com sua visão tresloucada de um socialismo falido não só barrou as reformas, mas esculhambou com boa parte das instituições devidamente aparelhadas pela companheirada. Incompetente e corrupta. Até quando vamos aguentar essa gente? Já estão no lixão da história. Que se lasquem!

A MONTANHA PARIU UM RATO - PARA QUE SERVE O PMDB? RAFAEL BRASIL



Fizeram um certo estardalhaço com e reunião do PMDB, com Temer podendo chegar lá, via impedimento da presidente, que já nem preside mais nada além do próprio cargo. Temer lá, juntinho com o velho partido, que desde a redemocratização nunca largou a boquinha, com exceção no desgoverno Collor, que caiu, dentre outras bobagens, por não dar bola aos partidos.
O que se ouviu foi um discurso de oposição ao petismo. Prega a reforma do estado e o equilíbrio orçamentário, coisa de liberais, que os idiotas esquerdistas dizem detestar. Nenhuma novidade, mas poder ser a saída pelo alto, ou um acordão das cleptocracias políticas que sempre dominaram o país desde a redemocratização. E não largam jamais o osso do estado. Falta combinar com o povo, a lava jato e a história, como diria Mané Garrincha. Enquanto o tempo passa o imponderável ganha força, e o papel das ruas vai ser fundamental.
Ninguém mais aguenta isso aí. É preciso reformas corajosas e radicais. Mas qualquer coisa é melhor do que a manutenção desta senhora não muito respeitável na presidência, lugar aonde nunca deveria ter chegado. Coisas da história. Como, uma nação inteira foi enganada por um analfabeto e ignorante , além de corrupto, e com o apoio de toda a comunidade acadêmica, ou seja, os tais "intelequituais" que sempre falam iguais. Que Deus proteja todos nós, e o povo deve decidir essa parada. Eu particularmente apoio a saída popular. Da soberania popular. O povo não aguenta mais esta quadrilha comunolarápia. Chega! Vade retro satanás!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

LOBÃO - PROCESSO CRIATIVO, RIGOR E MISERICÓRDIA - RODRIGO GURGEL


LOBÃO — PROCESSO CRIATIVO, RIGOR E MISERICÓRDIA

  • Nas reflexões que desenvolvi em “Qual o caminho para a criatividade?”, analiso alguns aspectos do surgimento das idéias — ou do que chamamos inspiração. Quem leu o artigo deve se lembrar dos exemplos que retiro de dois ensaios do poeta Wystan Hugh Auden, por meio dos quais mostro como cada escritor tem sua própria história no que se refere à mescla de estímulos exteriores, experiência acumulada, sinapses e conseqüências estéticas que fazem nascer novos textos.


Esse é um dos assuntos a que sempre retorno, pois acredito que refletir sobre o processo de criação literária pode me ajudar a esclarecer parte dos problemas apresentados por meus alunos da Oficina de Escrita Criativa e de outros cursos on-line.
Foi uma agradável surpresa, portanto, receber o novo livro do músico Lobão, Em busca do rigor e da misericórdia — reflexões de um ermitão urbano, no qual ele relata “em profundidade a gênese e a gravação, in the flight” do seu próximo disco, O rigor e a misericórdia. Ao mesmo tempo, Lobão narra acontecimentos de sua vida cotidiana e da conjuntura política do Brasil, mostrando como a criação artística é inseparável do homem e do contexto em que ele vive:
Lobão processo criativo
“Não há caso de inspiração fulminante, canção composta sob algum forte impacto emocional ou coisa parecida.” — Lobão
Vou, portanto, contar toda a trajetória do processo criativo, do nascimento à produção, das catorze novas canções. Como vieram as melodias, as harmonias, os detalhes dos arranjos e suas intenções, em que instrumentos foram compostas, juntamente com suas letras, e as histórias do trabalho, os insights, os livros que li no período, o panorama externo em que me encontrava e as pessoas que as inspiraram.
Os capítulos também estão marcados, portanto, de indignação, inseparável da vida intelectual de quem tenha um mínimo de consciência crítica e, desgraçadamente, viva hoje no Brasil, submetido ao que Lobão define como “atmosfera de estupor”.
À parte as justíssimas críticas de Lobão, o livro é um exercício que alguns dos principais artistas realizaram: meditar a respeito do seu próprio processo criativo, o que permite aprimorar sua voz, isto é, lapidar sua autoconsciência — processo necessário e interminável, como expliquei no texto “Estilo e autoconsciência”.

QUIETUDE NO MEIO DO CAOS

Veja-se, por exemplo, o Capítulo 12, “A esperança é a praia de um outro mar”, no qual Lobão narra a criação da música homônima, indissociável da morte de sua irmã, Mônica.
O capítulo abre com a reafirmação de uma certeza:
Não há caso de inspiração fulminante, canção composta sob algum forte impacto emocional ou coisa parecida. Trata-se (para meu espanto) de trabalho feito com método, disciplina, esforço mental, rigor de proporções, associações de idéias e forte e contínuo diálogo com minhas leituras e com o que tenho ouvido esses anos.
O trecho corrobora o que sempre afirmo: o processo criativo é um exercício que nasce principalmente do estudo e da disciplina — e não, como supõem alguns ou querem nos fazer acreditar certos escritores falsamente românticos, da mera inspiração, da visita de uma fada-madrinha.
Como salienta Lobão,
a emoção, quando aflora nesse tipo de processo, vem justamente após o momento em que as obras ganham vida própria, ao constatar que merecem existir por sua beleza recém-inaugurada, que já não há mais como “evaporá-las”, ao verificar que “a coisa deu certo”, momento em que a existência de algo elaborado por você não é mais você, e sim outra coisa, cuja independência é chancelada pelas proporções equilibradas, pelas vozes dos instrumentos, pelo modo como se completam em harmonia, em conflito, e pela letra, que cumpre seu papel poético, rítmico e melódico. Um percurso de concepção, enfim, sobretudo intelectual.
O trecho é perfeito. E serve à minudência da criação literária, em que o ficcionista deve estar atento não apenas às idéias, às cenas, à psicologia das personagens, mas também à forma, à linguagem, incluindo a entonação, o ritmo expressivo, e a eufonia.
Lobão define o processo por meio de uma feliz expressão: “eletroencefalograma da alma” — terminada a criação nascida da ciência, ela já não é mais o criador, mas ao mesmo tempo “o representa intimamente em tudo”.
Lobão processo criativo 2O capítulo mostra, entretanto, a única música criada sob o efeito de dolorosas emoções. Diante do câncer que devasta sua irmã, a pergunta “Onde habitará a alma?” o fustiga “noite escura de insônia adentro”. Mas, preso a esse núcleo de dor, o artista reafirma a predominância da racionalização:
Os ressentimentos, as frustrações, os nossos anseios mais profundos, nada disso é capaz de definir um sentido real de perda ou de dor. Pensar, racionalizar, esse processo é, de alguma forma, eliminatório.
A descrição das emoções e questionamentos que arrebatam o artista diante da morte da irmã fizeram-me lembrar de Saul Bellow e sua definição da arte: “A conquista da quietude no meio do caos”. Para o romancista, a arte é “uma quietude que caracteriza a prece, também, e o olho do ciclone”, ou seja, uma forma de “deter a atenção em meio à distração”.
“Em busca do rigor e da misericórdia” confirma, a cada capítulo, o que diz o filósofo Louis Lavelle: o ato da atenção produz em nós, de maneira incessante, novos estados de consciência. Por meio dessa forma de refletir, possuímos a nós mesmos, criamos a nós mesmos.

OLAVO DE CARVALHO

Mas quero fechar esta breve análise com outro elogio a Lobão. Ele não se mostra sincero e lúcido apenas ao confrontar suas fragilidades ou seu processo criativo. O Capítulo 6, em que salienta a interferência “dramática” do filósofo Olavo de Carvalho em sua maneira de perceber o mundo é uma prova de coragem intelectual.
Lobão detecta a covardia que também denunciei em minha análise de O imbecil coletivo — e que faz parte do meu novo livro, Crítica, Literatura e Narratofobia, a ser lançado nas próximas semanas: o comportamento comum a todos os “ruidosos detratores do Olavo”, a invariável fuga do debate e a recusa peremptória em ler o que o filósofo escreve.
O capítulo, em que Lobão lista várias de suas influências, termina com a melhor homenagem que Olavo de Carvalho poderia receber: o título do livro e do disco de Lobão foi retirado de um dos ensaios do filósofo, “Poesia e filosofia”, que se encontra em A dialética simbólica, recentemente reeditado:
A filosofia é a busca da sabedoria, a poesia é sabedoria em busca dos homens. Isto é tudo, e não há mais diferença alguma. São como duas colunas do templo, o Rigor e a Misericórdia — aquilo que a sabedoria exige, aquilo que a sabedoria concede.
E, completo, aquilo que Lobão realiza neste novo livro.

Os intelectuais são do bem? - LUIZ FELIPE PONDÉ


FOLHA DE SP - 16/11


Tenho me perguntado uma coisa há algum tempo, e o leitor que me acompanha sabe disso. A pergunta que me atormenta é: por que nós intelectuais achamos que somos do bem?


Explico meu estranhamento. Intelectuais são pessoas normais e, portanto, movem-se por interesses que nem sempre podem ser confessados em voz alta. Por exemplo: vaidade, ambição, paixões, racionalizações pragmáticas, inveja, ódio, amor, instintos competitivos; enfim, nada de novo no front. E dinheiro? Claro que sim, mas, em nossa vida de profissionais do saber, normalmente, isso se traduz em "verbas de pesquisa", "horas-aula", "palestras", "concursos".

No fim das contas, é grana. E prestígio, moeda de alto valor em nosso mundo. 

Principalmente porque esse nosso mundo é pobrinho de grana. Logo, vaidades tomam o lugar da pouca quantidade de grana. Mas mente-se com frequência em relação aos interesses financeiros nesse mundo (principalmente no Brasil, que patina numa mentalidade neolítica contra a sociedade de mercado), normalmente por mera pose. E fatos como esses (refiro-me a esta pose) é que me levam de novo à pergunta inicial: por que nós intelectuais assumimos que somos do bem?

Penso que uma primeira resposta está em nossa vaidade: resta-nos a pose de ser do bem, já que não temos muito dinheiro e, fora do nosso mundo, não temos muito prestígio. Ser do bem é uma vaidade que data, no mínimo, do clero católico medieval. Nós intelectuais somos o novo clero do mundo: posamos de representantes do sumo bem, mas agimos como todo humano miserável, movido pelas mesma paixões dos "ignorantes".

Mas tem mais coisa nesse angu. Qualquer um pode ver esta percepção de que somos do bem no modo arrogante como assumimos que as pessoas comuns são meio idiotas (ainda que não digamos isso claramente). Por exemplo, essa gente iletrada a favor da maioridade penal, contra o aborto, que come carne aos montes, que "acredita na família" (só gente inculta comete esse erro), que pensa que com armas nas mãos pode se defender de bandidos, que acha que o mundo está dividido em "gente de bem" e "bandidos", ou seja, essa gente comum é de uma estupidez que choca nosso intelecto muito mais "bem informado".

Acho que há alguns indícios na própria história da filosofia que alimentam essa vaidade de nos tomarmos como gente do bem a priori. Já Platão, ao reagir à religião grega ou à tragédia, vê sua filosofia como uma "reforma do mundo". Com a chegada do cristianismo na filosofia, a ideia de que os "homens do conhecimento" eram homens de Deus tornou-se uma presunção de superioridade moral ainda maior.

Mas é com o advento do iluminismo francês e da teologização da política por gente como Rousseau e Marx (quem quiser aprofundar essa ideia leia Isaiah Berlin) que a arrogância intelectual chegou ao seu perfil contemporâneo. A política se fez teologia, e nós, seus agentes da graça redentora.

É verdade que quando você estuda mais, você fica com um olhar mais "sofisticado" para o mundo. Mas essa "sofisticação" implica que o saber comum, impregnado no cotidiano de milhares de pessoas, seja menor do que o de uma só pessoa que lê muitos livros? Ou que essa "sofisticação" torna você uma pessoa moralmente melhor? Não creio. Intelectuais aderem a toda forma de humilhação cotidiana de outras pessoas, assim como aderiram a toda forma de violência política no século 20. Mas, ainda assim, minha tribo está segura de que representa o néctar moral do mundo.

Basta ver a história recente do PT (grêmio que reuniu a esmagadora maioria dos intelectuais brasileiros nos últimos tempos) para ver o ridículo dessa gente. E o pior é a pergunta que decorre diretamente da derrocada moral do PT: como esses intelectuais "brilhantes" não foram capazes de enxergar que o glorioso partido era na realidade uma assembleia de gente no mínimo "duvidosa" moralmente? Todos esses anos de estudos para apostar numa entidade corrupta como esta?

Intelectuais não são reserva de moral nenhuma. Não somos os guardiões do bem. E é desse "não" lugar que devemos falar.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Denise Abreu recebe Marco Feliciano e Olavo de Carvalho


Diário do Olavo: a mídia comunopetista e a necessidade de um Estado-Maior - OLAVO DE CARVALHO



A mídia foi o primeiro terreno onde o comunopetismo firmou sua hegemonia e de onde partiu, com base firme, para a conquista do restante.

Todo mundo está muito enganado com relação à função da mídia, [as pessoas pensam assim:] "nós temos um problema na escala federal, um problema dentro da classe política, e a mídia está tomando partido a favor de um dos lados – descaradamente". O problema não é este, a mídia não é um órgão auxiliar que está tomando partido para ajudar: a mídia é a peça central do sistema. Recue no tempo e pergunte qual foi o primeiro setor da sociedade onde a esquerda implantou a sua hegemonia; [a resposta é] a mídia, trinta anos antes de o PT chegar ao poder. A mídia não é um elemento a mais, ela é o centro do problema. Muito tempo atrás eu dizia (e o pessoal não entendia o que eu estava dizendo) que não adiantava brigarem com o PT, era preciso brigar com a Folha de São Paulo, com O Globo, as manifestações tinham de ser feitas na frente d’O Globo, era preciso desmoralizar O Globo e a Folha – sobretudo estes dois órgãos. A mídia foi o núcleo da hegemonia. Se a mídia não ocultasse por dezesseis anos a existência do Foro de São Paulo, o Foro de São Paulo simplesmente não existiria. É claro que isto foi uma vasta operação política tramada entre todas as redações; quem manda na mídia não são os donos (isto é fundamental), quem manda é a redação. O dono ganha dinheiro e fica quieto, em geral nem concorda com que o que o pessoal da redação está fazendo, mas não tem força para mexer na redação. No tempo da ditadura, ninguém conseguia tirar um comunista de uma redação, era impossível. Se tirassem, a mídia inteira parava. Portanto, eles já têm esse controle da mídia desde quarenta ou cinquenta anos atrás, e foi a partir da mídia que eles foram crescendo. Enquanto não for destruída essa hegemonia da Folha de São Paulo e d’O Globo, nada será possível. Este é o objetivo e este deveria ser o alvo primordial. O objetivo não é obter da mídia uma cobertura decente, o objetivo é destruir essas organizações por completo, enquanto elas não saírem do caminho, não haverá liberdade de imprensa neste país – isto é coisa básica. E se não houver liberdade de imprensa, não haverá democracia, não haverá representatividade. (*)
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A mídia foi o primeiro terreno onde o comunopetismo firmou sua hegemonia e de onde partiu, com base firme, para a conquista do restante. É inútil reclamar, é inútil apelar à consciência profissional da classe jornalística, que já não tem nenhuma e enxerga a manipulação do noticiário como um dever e um mérito. A mídia foi e é o CENTRO IRRADIANTE da hegemonia comunopetista e não apenas um suporte externo, como em geral as pessoas imaginam. Ela é o primeiro obstáculo que teria de ser derrubado ANTES de um ataque ao poder federal.
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Sabem por que o Villa está quietinho há meses e nunca mais lançou indiretas contra mim? É porque em julho ele recebeu uma notificação do meu advogado exigindo que explicasse em português claro se o “ideólogo” a que se referia pejorativamente era eu ou algum outro, talvez imaginário. Nada podendo negar nem afirmar, o homenzinho enfiou a viola no saco e preferiu mudar de assunto.
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Pela milésima vez: MAIS IMPORTANTE E MAIS URGENTE do que tirar a Dilma da Presidência é remover os comunistas da mídia e das cátedras universitárias. A Presidência da República é só a condensação simbólica oficial de um poder que se construiu desde baixo por “ocupação de espaços”. Destruir o símbolo não é destruir o poder que o criou.
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Como” remover os comunistas da mídia e das cátedras? Demolindo o seu prestígio em público sem dó nem piedade. Humilhando-os de novo e de novo até que, como recomendava o próprio Lênin, percam a vontade de combater. Isso é um dever de todos os dias. Não adianta nada você participar de protestos anti-Dilma se na sua faculdade você baixa a cabeça perante o professor comunista por medo de notas baixas. Cortei as cabeças de toda uma geração de intelectuais comunistas da mídia, fornecendo o modelo para que se fizesse a mesma coisa com as gerações subseqüentes e na escala menor das universidades, mas não creio que o modelo tenha sido muito utilizado depois.
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Além das presença já anunciadas no II ENCONTRO DE ESCRITORES BRASILEIROS NA VIRGINIA, talvez tenhamos também o Lobão, o Wagner Carelli e o Josias Teófilo. Não sabem ainda se poderão vir, mas tomara que tudo dê certo.
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Não sou contra o impeachment, não sou contra intervenção militar, não sou contra processos judiciais, não sou contra nada que se possa fazer para livrar o Brasil do sistema comunolarápio. Apenas acho que todas essas idéias são muito abstratas, são fatias de uma realidade que, no conjunto e concretamente, é a REVOLUÇÃO BRASILEIRA — a luta do povo contra o estamento burocrático, agora dominado pelo Foro de São Paulo com amplo respaldo internacional. Todas as idéias são boas, mas nenhuma, por si, tem a amplitude estratégica necessária para dar conta do problema. É preciso muito diálogo, muita fusão de perspectivas parciais — e isso só virá com o tempo e o acúmulo de experiência. Isso quer dizer que, quando desço o cacete em alguma idéia de jerico, não desejo destruir, desmoralizar ou desestimular os seus criadores. A rigor, apóio TODOS os movimentos antipetistas, só acho que têm muito a aprender uns com os outros em vez de tentar impor estratégias limitadas e lutar por elas como se fossem a salvação da lavoura.
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O que todos os movimentos deveriam fazer agora, no meu modesto entender, é formar um Estado-Maior — um centro de debates estratégicos sem poder decisório, apenas consultivo, para fornecer diagnósticos e delinear cenários possíveis, Numa situação complexa como aquela que o Brasil vive hoje, nenhuma quantidade de debates é excessiva, desde que ninguém tenha pressa de tomar decisões práticas antes de enxergar o quadro inteiro com suficiente clareza. Essa é uma lição que deveríamos aprender com a velha esquerda (não a nova). Esquerdistas sempre debateram as estratégias por anos a fio, sem pressa de achar soluções mágicas. Foi assim que chegaram ao poder, mas em seguida entraram numa decomposição intelectual deplorável.
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Em 2003 tentei formar uma organização desse tipo, com estudiosos de várias regiões do país. Tivemos de parar por falta de dinheiro para reunir o pessoal.
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Quer dizer: Estamos doze anos atrasados num projeto que, quando começou, já estava atrasado em treze anos.
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O PT achou que podia encarnar o espírito da revolução brasileira e realizá-la. Pura arrogância da elite comunista, que, apesar da ajuda recebida do Raymundo Faoro, nunca entendeu nem mesmo a sua própria situação no mundo, quando mais a da sociedade brasileira. A revolução brasileira não pode ser descrita em termos de “luta de classes”, pois o que está em jogo não é a “posse dos meios de produção” e sim a posse do Estado. Como dizia o Faoro, é o povo contra o “estamento burocrático”, os “donos do poder”. Como o PT, com a maldita estratégia gramsciana de “ocupação de espaços”, se transformou ele próprio no estamento burocrático e aliás o tornou mais egoísta e explorador do que nunca, o partido perdeu toda possibilidade de liderar a revolução brasileira (felizmente, porque ele lhe daria orientação comunista) e abriu a brecha para que o povo mesmo faça a revolução CONTRA ELE e seus cúmplices. É a maior oportunidade histórica que os brasileiros já tiveram.

* - Trecho do hangout de Olavo de Carvalho, Marco Feliciano e Denise Abreu. Transcrito por Carla Farinazzi para o blog Olavo de Carvalho - Notas nas Redes Sociais.

JACOB BURCKHARDT E A DEMOCRACIA DOS MEDÍOCRES - RODRIGO GURGEL

JACOB BURCKHARDT E A DEMOCRACIA DOS MEDÍOCRES

  • Ler as Cartas de Jacob Burckhardt, escritas entre 1838 e 1897, é conhecer um homem completo. Ele não foi apenas o compulsador de arquivos empoeirados, trabalho cuja importância aprendeu com Leopold von Ranke, mas também desenhista, compositor, pianista, amante dos vinhos e da ópera, principalmente de Verdi, excelente observador dos costumes e eterno insatisfeito consigo mesmo, qualidades que nos concederam, dentre outras obras, A cultura do Renascimento na Itália.
São poucas as cartas nas quais Jacob Burckhardt não faz algum comentário a respeito de política, que acompanhava pelos jornais e se correspondendo com amigos de toda a Europa. Em muitas delas, temos a decepcionante impressão de que o historiador fala do nosso tempo.
Jacob Burckhardt
“Um homem só é interessante se amar alguma coisa” — Jacob Burckhardt
Quando já se prenunciavam as insurreições de 1848, ele adverte: “Nenhum de vocês sabe ainda o que o povo é, e quão facilmente ele se transforma em uma horda de bárbaros”. E completa: “Você não sabe que tirania será exercida sobre o espírito, sob o pretexto de que a cultura é a aliada secreta do capital que deve ser destruído”. Poucos meses depois, reafirma sua previsão e narra o que vivemos hoje: “É uma longa história […] a difusão da cultura e o decréscimo da sua originalidade e individualidade, da vontade e da capacidade; e um dia o mundo irá sufocar e cair sobre o estrume do seu próprio filisteísmo”.
Desprezando os partidos, todos os ismos eistas, sua principal convicção era de que “a mais elevada concepção da história da humanidade” é “o desenvolvimento do espírito de liberdade”. Exatamente por essa razão, temia os excessos do império da maioria. Nenhuma mente lúcida pode discordar de sua análise sobre a democracia, regime político que “não compreende a exceção, e, quando não se pode negá-la ou removê-la, passa a odiá-la de todo coração”.
No Brasil, onde vivemos há quase duas décadas sob o poder quase que absoluto do mesmo partido, bem sabemos o quanto ele estava certo ao dizer que “a democracia pode apenas usar homens medíocres como ferramentas, e o carreirista comum lhe dá todas as garantias que ela pode desejar de um sentimento comum”.
A sensibilidade de Burckhardt pode se resumir ao amor incondicional que ele teve pela Itália e, principalmente, por Roma: “Quando deixei Roma pela última vez […] e o coche fez uma parada na Porta del Popolo para que apresentássemos os passaportes, desci mais uma vez e, solenemente, dei três passos outra vez pelo portão, desejando que isso simbolizasse meu retorno”.
Em sua nobreza, era capaz de perceber claramente o quanto “nossa ambição deveria elevar-se do estágio da vaidade para o de desejo pela fama”. Para Burckhardt, ser vitorioso em relação aos outros não deve constituir um problema. A percepção dessa verdade nascia de seu profundo e salutar individualismo, em nome do qual jamais deixou de defender a idéia de que “o homem pode significar muito para si próprio, e quanto mais ele significa para si, mais significa para os outros”.
Além de execrar os filisteus e dedicar-se, integralmente, à escrita e ao magistério — em Basiléia, na Suíça —, com poucas semanas de férias anuais, Burckhardt teve um único lema: “Um homem só é interessante se amar alguma coisa”.

"Chulices e populismos", por Ruy Castro Folha de São Paulo





Um grupo de teatro do Oregon, nos EUA –um Estado americano que vive do abate de árvores–, anunciou a contratação de 32 dramaturgos para, pelos próximos três anos, "traduzir" todas as peças de Shakespeare para o inglês moderno. Seus mentores estão convencidos de que o público já não entende a linguagem do bardo, em que os personagens se tratam por "thou" quando poderiam chamar-se por "you", que é a mesma coisa –e outras adaptações não tão óbvias.

Essa submissão ao populismo e à chulice ainda nem se consumou e já tem adesões: grupos shakespeareanos de vários outros burgos dos EUA pretendem usar as "traduções". Com isso, uma linguagem que, apesar de todos os arcaísmos, impôs-se à humanidade e contribuiu para elevá-la pelos últimos 500 anos, virá morrer na praia bem no nosso ano de 2015.

As livrarias contêm Shakespeare com apenas as citações famosas, para quem não se interessar pelo resto do texto; resumos das tramas em prosa, em um ou dois parágrafos; e edições anotadas esclarecendo as referências mais obscuras. Tudo bem. Shakespeare tem sido também encenado de todo jeito, com o elenco nu ou com um ator vivendo todos os papéis. Nada a opor. Mas em seu habitat, o palco, a linguagem deve ser sagrada –se servia para Olivier ou Gielgud, por que não serviria para os novos elencos, compostos de mortais?

Há pouco, caiu-me às mãos uma edição recente do "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa. Abri-a e gelei. Rosa concebeu seu romance num bloco maciço, de 600 páginas, sem parágrafos, como se a fala do narrador Riobaldo fosse um novelo sem fim, e assim o publicou. As pausas do original estavam na música do texto.

Pois esta edição da Nova Fronteira esquartejou-o em 1.800 parágrafos. A exemplo do que vão fazer com Shakespeare, por que também não o "traduzem" para o português?

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Até que enfim Olavo de Carvalho Diário do Comércio, 21 de setembro de 2011




A mídia brasileira sempre acaba descobrindo as coisas. Basta esperar umas quantas décadas, e você, já maduro ou velhinho, recebe a informação vital que poderia ter mudado o seu destino se lhe chegasse na juventude.
Quem primeiro me falou de Roger Scruton, no início dos anos 90, foi Daniel Brilhante de Brito, o brasileiro mais culto que já conheci. Citei o filósofo inglês em 1993, em A Nova Era e a Revolução Cultural, antevendo – nada é mais fácil neste país – que sua obra dificilmente chegaria ao conhecimento dos nossos compatriotas. Decorridos sete anos, o Dicionário Crítico do Pensamento da Direita, pago com dinheiro do governo à fina flor da esquerda falante – 104 intelectuais que prometiam esgotar o assunto –, ainda exibia despudoradamente a total ignorância universitária de um autor que, àquela altura, já era tido no seu país e nos EUA como um dos mais vigorosos homens de idéias no campo conservador (v.http://www.olavodecarvalho.org/textos/naosabendo.htm). Só se pode alegar como atenuante o fato de que não haviam excluído Roger Scruton por birra pessoal. Ao contrário, eram rigorosamente democráticos na distribuição da sua ignorância: desconheciam, por igual, Ludwig von Mises, Friedrich von Hayek, Murray Rothbard, Russel Kirk, Thomas Sowell, Bertrand de Jouvenel, Alain Peyrefitte e praticamente todos os demais autores sem os quais não existiria nenhum “pensamento da direita” para ser dicionarizado. Uma breve consulta ao popular Dictionary of American Conservatism, publicado três anos antes, teria bastado para dar àqueles cavalheiros a informação mínima que lhes faltava sobre o assunto em que pontificavam, mas provavelmente as verbas federais com que encheram os bolsos não bastaram para comprar um exemplar.
Voltei a falar de Scruton, à base de uma vez por ano, de 1999 até 2008. Em vão. Durante muito tempo vigorou nas redações de jornais e nas universidades o mandamento comunista de Milton Temer, “O Olavo de Carvalho não é para ser comentado” (v.http://www.fazendomedia.com/fm0023/entrevista0023.htm), que o zelo dos discípulos estendia aos autores citados nos meus artigos. Alguns, é claro, liam esses autores em segredo, como quem se escondesse no banheiro com um livreto de Carlos Zéfiro. Mas esperavam, para comentá-los, que o tempo apagasse toda associação entre aqueles nomes e a minha pessoa. Assim transcorreu o prazo de uma geração.
Imagino o que teria sido a vida de milhares de estudantes brasileiros se lessem, logo que publicado em 1985, o hoje clássico Thinkers of the New Left. Naquela época, o marxismo já estava cambaleante, mas as idéias da “Nova Esquerda”, que prometiam injetar-lhe vida nova, estavam acabando de aterrissar na taba. Se Antonio Gramsci e Louis Althusser já eram estrelas nos céus acadêmicos tabajaras, outros, como Michel Foucault e Jürgen Habermas, mal haviam desembarcado, e outros ainda, como Immanuel Wallerstein e E. P. Thompson, ainda eram vagas promessas de novos deslumbramentos que só na década de 90 iriam espoucar ante os olhos ávidos da estudantada devota. A cada um desses autores Scruton consagrava modestas oito ou dez páginas que os reduziam ao estado de múmias, fazendo jus àquilo que mais tarde se diria de outro filósofo conservador, o australiano David Stove (também desconhecido nestas plagas): “Ele não faz prisioneiros. Escreve para matar.”
Se alguma longínqua esperança na recuperação da dignidade intelectual marxista ainda restava na minha cabeça de esquerdista desencantado, foi sobretudo esse livro que a exorcizou. Uma tradução brasileira dele teria feito bem a muita gente. Talvez tivesse até debilitado a fé de Milton Temer no monopólio esquerdista da racionalidade, poupando-o do vexame de continuar carregando essa cruz nas suas costas vergadas de septuagenário.
Foi para impedir essa tragédia que a elite esquerdista dominante nos meios universitários e editoriais não só se absteve de ler livros conservadores como também tomou todas as providências para que ninguém mais os lesse. Não que agisse assim por um plano deliberado. Não: essa gente pratica a exclusão e a marginalização dos adversários com espontânea naturalidade. A regra leninista de que não se deve conviver com a oposição, mas eliminá-la, incorporou-se na sua mente como uma segunda natureza, e desde que a esquerda tomou o poder neste país tornou-se um hábito generalizado e corriqueiro suprimir as vozes discordantes para em seguida proclamar que elas não existem.
Por isso é que só agora o indispensável Roger Scruton chega ao conhecimento do público brasileiro, por iniciativa das páginas amarelas daVeja de 21 de setembro, onde ele diz o que todo mundo pensa mas não tem meios de dizer em voz alta. Exemplos:
1) Os arruaceiros de Londres não são pobres excluídos. São meninos mimados, sustentados pela previdência social, que se acostumaram à idéia de que têm todos os direitos e nenhuma obrigação.
2) Nenhum país pode suportar um fluxo ilimitado de imigrantes sem integrá-los na sua cultura nacional.
3) Toda a ideologia de esquerda é baseada na idéia imbecil da “soma zero”, onde alguém só pode ganhar alguma coisa se alguém perder outro tanto.
4) Marx, Lênin e Mao pregaram abertamente a liquidação violenta de populações inteiras, mas a esquerda fica indignada quando lhes imputamos a culpa moral pelas conseqüências óbvias da aplicação de suas idéias, mas se um conservador escreve uma palavrinha contra os excessos da imigração forçada, é imediatamente acusado de fomentar crimes contra os imigrantes.
5) A União Européia é inviável. O euro, paciente terminal, que o diga.
6) A esquerda sente a necessidade de sempre explicar tudo em termos de culpados e vítimas, mas, como cada explicação desse tipo logo se revela insustentável, é preciso buscar sempre novas vítimas para que as ondas de indignação se sucedam sem parar, alimentando a liderança revolucionária que sem isso não sobreviveria uma semana. A primeira vítima oficial foram os proletários, depois os índios, os negros, as mulheres, os jovens, os gays e agora, finalmente, a maior vítima de todas: o planeta. Em nome da salvação do planeta, supostamente ameaçado de extinção pelo capitalismo, é lícito matar, roubar, seqüestrar, incendiar, ludibriar, mentir sem parar e, sobretudo, gastar dinheiro extorquido dos malvados capitalistas por meio do Estado redentor.
Em todos esses casos, é historicamente comprovado que a situação das alegadas vítimas, sob o capitalismo, jamais parou de melhorar, na mesma medida em que piorava substancialmente nos países socialistas, mas a mentalidade esquerdista tem a tendência compulsiva de sentir-se tanto mais indignada com os outros quanto mais suas próprias culpas aumentam. É o velho preceito leninista: Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é.
A par da sua obra propriamente filosófica, de valor inestimável para os estudiosos, Scruton tem dito essas coisas, de uma verdade patente, há muitas décadas e com uma linguagem ao mesmo tempo elegante e ferina que desencoraja o mais inflamado dos contendores.
Espero que a entrevista da Veja desperte a atenção dos leitores para os livros desse autor imprescindível.
A respeito do item 6, convém acrescentar aqui uma informação de que talvez o próprio Scruton não disponha, mas que vem mostrar o quanto ele tem razão. Nos anos 50, grupos globalistas bilionários – os metacapitalistas, como os chamo, aqueles sujeitos que ganharam tanto dinheiro com o capitalismo que agora já não querem mais se submeter às oscilações do mercado e por isso se tornam aliados naturais do estatismo esquerdista – tomaram a iniciativa de contratar algumas dezenas de intelectuais de primeira ordem para que escolhessem a vítima das vítimas, alguém em cuja defesa, em caso de ameaça, a sociedade inteira correria com uma solicitude de mãe, lançando automaticamente sobre todas as objeções possíveis a suspeita de traição à espécie humana. Depois de conjeturar várias hipóteses, os estudiosos chegaram à conclusão de que ninguém se recusaria a lutar em favor da Terra, da Mãe-Natureza. Foi a partir de então que os subsídios começaram a jorrar para os bolsos de ecologistas que se dispusessem a colaborar na construção do mito do planeta ameaçado pela liberdade de mercado. As conclusões daquele estudo foram publicadas sob o título de Report from Iron Mountain – a prova viva de que o salvacionismo planetário é o maior engodo científico de todos os tempos. O escrito foi publicado anonimamente, mas o economista John Kenneth Galbraith, do qual não há razões para duvidar nesse ponto, confirmou a autenticidade do documento ao confessar que ele próprio fizera parte daquele grupo de estudos e ajudara a redigir as conclusões.

Mito: “o brasileiro ingere 5 litros de agrotóxicos por ano”


Por que tantos jornalistas confiam em estatísticas divulgadas por ONGs e ativistas?

Por: Leandro Narloch  
agrotoxico
ONGs de combate ao agronegócio, como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, têm divulgado que “o brasileiro consome 5,2 litros de agrotóxicos por ano”. Jornais, revistas, sites e canais de TV engoliram e publicaram essa informação espantosa. Duas revistas disseram até que o brasileiro “bebe” essa quantidade toda de pesticidas, sem perceber que a estatística é um típico exagero criado por ativistas.
O número de 5,2 litros é resultado da divisão entre o consumo de pesticidas no país e a população. É um cálculo grosseiro, que não leva em conta que:
– Lavouras de exportação, como soja, algodão e milho, utilizam mais da metade dos agrotóxicos do país. Como o Brasil é o maior exportador agrícola depois dos Estados Unidos e da União Europeia, é natural que esteja entre os maiores consumidores de agrotóxicos. Mas daí há um bom caminho até sugerir que todos os produtos são ingeridos pelos brasileiros, pois os alimentos não são consumidos no Brasil.
– Boa parte dos agrotóxicos se destina a proteger plantações que não são de alimentos. Algodão (que exige uso intenso de pesticidas) e cana-de-açúcar são matéria-prima de tecidos e do etanol. Não vão parar na boca dos cidadãos.
– Mesmo no caso de alimentos cultivados com agrotóxicos e consumidos por aqui, é falso afirmar que o brasileiro ingere ou bebe as substâncias. Herbicidas, por exemplo, são aplicados no começo do plantio, bem distante da época de colheita e da parte comestível das plantas. Além disso, um prazo de carência (o tempo entre a última aplicação do produto e a data da colheita) evita que substâncias perigosas terminem no prato dos consumidores. Como diz o engenheiro agrônomo Alfredo José Barreto Luiz, da Embrapa Meio Ambiente:
Esse prazo é calculado para que as substâncias químicas ativas dos agrotóxicos já tenham se transformado em outras (pela ação da temperatura, luz, umidade etc.), restando em quantidade tão reduzida e diluída que não oferece mais perigo.
– A melhor unidade para medir o consumo de agrotóxicos é quilos por hectare, e não litros por habitante. Ao contrário da Europa ou dos Estados Unidos, o Brasil não pode contar com o inverno para exterminar pragas. Sem longos períodos de neve para conter insetos e ervas daninhas, os agricultores brasileiros (e de outros países tropicais) se valem de agrotóxicos. Além disso, podem aproveitar a terra por mais tempo que os países com inverno rigoroso. Isso explicaria porque consumimos tanto desses produtos por aqui. Mas a média brasileira não está tão longe dos países europeus. Segundo o IBGE, cada hectare cultivado do Brasil recebe 6,9 quilos de agrotóxicos. A França gasta 4,6 quilos por hectare; a Holanda, 9,4.
Pode almoçar tranquilo: o brasileiro não ingere 5 litros de agrotóxico por ano.

Como a maconha pode diminuir a miséria do sertão - Por: Leandro Narloch - VEJA.COM


A legalização da droga criaria empregos e prosperidade na região mais pobre do país

epa02310452 A worker tends to cannabis plants at a growing facility for the Tikun Olam company near the northern Israeli town of Safed on 31 August 2010. In conjunction with Israel's Health Ministry, the company currently distributes cannabis or Marijuana for medicinal purposes to over 1,800 people to help relieve pain caused by various health conditions.  EPA/ABIR SULTAN ISRAEL OUT
Plantação legalizada de maconha para remédios, em Israel. EPA/ABIR SULTAN ISRAEL OUT
Harry Browne, político e analista financeiro americano, costuma afirmar que o estado quebra as pernas dos cidadãos só para depois dar muletas a eles e dizer “vejam só, se não fosse o governo, vocês não seriam capazes de andar”.
Isso é especialmente verdade para o sertão nordestino.
Com pouca chuva, muito sol e solo arenoso, o sertão é uma região excelente para o plantio de maconha. Se a droga fosse legalizada, fazendas de maconha renderiam lucros milionários, criariam empregos, aqueceriam a venda de máquinas e fertilizantes e reduziriam a dependência da população ao Bolsa-Família. O Brasil ainda seria um exportador mundial de uma valiosa matéria-prima para fibras, remédios e cigarros.
Mas o próprio governo impede esse desenvolvimento. Como a maconha é proibida, os sertanejos que optam pelo seu cultivo se tornam criminosos. Só no mês passado, uma operação da Polícia Federal no sertão de Pernambuco destruiu 320 mil pés de maconha.
Operações como essa são máquinas perfeitas de pobreza. Desperdiçam recursos escassos do governo (helicópteros e dezenas de policiais) para destruir a riqueza de gente não exatamente endinheirada.
Sem poder cultivar uma das poucas espécies para o qual o sertão é adequado, só resta aos sertanejos se apoiar nas muletas do Bolsa-Família.
@lnarloch

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Olavo de Carvalho e Rodrigo Gurgel: a importância da Oficina de Escrita Criativa



O filósofo Olavo de Carvalho e o crítico literário Rodrigo Gurgel, idealizador da Oficina de Escrita Criativa, conversam sobre os fatores determinantes que levaram à derrocada cultural brasileira, a ausência de pessoas capacitadas a perceber e analisar tais problemas, e também das boas iniciativas que contribuem para a reversão do atual cenário.