sábado, 6 de dezembro de 2014

FOTOS IMPRESSIONANTES: Os enigmáticos, misteriosos e ainda não explicados desenhos gigantes feitos em plantações


FOTOS IMPRESSIONANTES: Os enigmáticos, misteriosos e ainda não explicados desenhos gigantes feitos em plantações

6_west_kennett_longbarrow_9_june_2008
Espiral perfeita em West Kenneth Long Barrow, 9 de junho de 2008: quem está por trás? (Fotos: APS Aerial Photography e WCCSG)
Post publicado originalmente a 14 de fevereiro de 2013
Campeões-de-audiênciaOs defensores da teoria sobre a existência de vida inteligente em outros planetas garantem que são obras de alienígenas; alguns cientistas apostam em uma complexa ação do vento e do solo; outros juram que não passam de pegadinhas armadas por agricultores mais habilidosos esteticamente.
Na verdade, não importa. Os célebres crop circles, ou “círculos de colheita”, continuam aparecendo aos montes pelos campos do mundo afora, sem que alguém explique de uma vez por todas como são produzidos.
Em busca de respostas para este incrível mistério, pesquisadores do fenômeno baseados em Wiltshire, condado no sudoeste da Inglaterra mundialmente conhecido como o epicentro global dessas enigmáticas manifestações, além de território do mítico monumento pré-histórico Stonehenge, criaram em 1995 o Wiltshire Crop Circle Study Group (WCCSG).
6 mil crop circles desde os anos 1980
Whitefield-Hill_3ago10 trigo
Whitefield-Hil, 30 de agosto de 2010: arte no trigo
Como o próprio nome indica, trata-se de um grupo de estudos, que se apoia em três pontos de vista sobre o assunto – “físico, metafísico e espiritual” -  para tentar entendê-lo melhor.
O WCCSG, que organiza eventos e edita o jornal bimensal The Spiral (“A Espiral”) dá como certo que os crop circles existem, estão distribuídos por todo o planeta (mais de 6 mil desde a década de 1980), são inspirados em geometria complexa, simbologia antiga e matemática avançada e podem ser codificados, entre outros preceitos.
O interessante site do WCCSG traz uma enxurrada de imagens dos círculos, captadas pela empresa britânica APS Aerial Photography e informações mais aprofundadas sobre o tema. Selecionei uma dezena realizada entre 2008 e 2012 apenas em lugares do condado de Wiltshire. Confiram:
Wilton Windmill 1 jun11 trigo 150ft
Uma serpente de mais de 45 metros em Wilton Windmill: senso de humor extraterreno?
Water Eaton Copse nr Hannington12mai12
Campo próximo a Hannington, a 12 de maio de 2012
Beckhampton 3jul10
“Pássaro” em Beckhampton, 3 de julho de 2010
Chilcomb near Winchester Hampshire 200 ft across comum anos 1jul12
Cubo em Winchester Hampshire, 1 de julho de 2012: as formas dimensionais estão cada vez mais comuns nos “crop cricles”
Barley
Quatro desenhos como este, de 2 de julho de 2009, já apareceram no mesmo campo próximo a Stanton St. Bernard
Roundway-Hill_near Devizes 25jul10
Campo próximo a Devizes, 25 de julho de 2010
11_all_cannings_30_june_2008
Um diamante em All Cannings, 30 de junho de 2008
Honeystreet 26jun11 160ft diam
Honeystreet, 26 de junho de 2011: o círculo principal tem quase 50 metros de diâmetro

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A face cruel da crise MERVAL PEREIRA 04.12.2014 09h57m

A dificuldade do governo para aprovar no Congresso a alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), apesar da maioria teórica acachapante e da nunca antes vista chantagem oficial, incluindo num decreto o “toma-lá” (um aumento de verba de emendas parlamentares) e o “dá-cá” (o apoio para transformar o déficit orçamentário em superávit) é sinal dos tempos em que o PT está tendo que enfrentar uma oposição aguerrida, e disposta a não deixar barato as manobras governistas, com o apoio da população.
Quando as manifestações das galerias eram a favor do PT ou contra a ditadura militar, eram consideradas democráticas. Como estão sendo agora contra o governo petista, passam a ser entendidas pela maioria governista como atentatórias à democracia, como se aprovar uma troca de favores como a proposta oficialmente pelo governo ao Congresso fosse benéfica a ela. 
O ambiente político está tenso por que de várias partes surgem informações que vão formando um quadro tenebroso da atividade política petista dos últimos anos, financiada em larga escala por desvios de dinheiro público, cuja ponta o iceberg prece ser o petrolão. Depois de ter superado o mensalão em quantidade de dinheiro e sofisticação de métodos, o petrolão parece prestes a ser superado pela revelação de que esquemas do tipo estão espalhados por todos os setores estatais, atingindo até mesmo e talvez principalmente os fundos de pensão.
Foi o que garantiu o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, hoje em prisão domiciliar, que disse que o esquema do petrolão está espalhado por vários setores do governo em que as mesmas empreiteiras atuam, desde aeroportos até hidrelétricas.
Enquanto as contas da campanha eleitoral deste ano da presidente Dilma estão sendo escrutinadas pelo ministro Gilmar Mendes com o auxílio de técnicos do TCU e da Receita Federal, surgem depoimentos de executivos que estiveram envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras para informar que uma das desconfianças do Ministério Público estava correta: ele passou a investigar o pagamento de propina a políticos inclusive na campanha de 2014, com a suspeita de que a doação formal, declarada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possa ter sido transformada em "mera estratégia de lavagem de capitais".
Pois na delação premiada de Augusto Ribeiro Mendonça Neto, executivo da Toyo Setal, fica identificada a trilha do dinheiro sujo que reforçou as campanhas petistas de 2008 a 2010, inclusive a campanha presidencial em que a presidente Dilma foi eleita pela primeira vez. Com as revelações, fica evidente que há sobras de razão para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pesquise para ver se também este ano as contas do partido governista não foram irrigadas por dinheiro do petrolão.
Essas informações se cruzam nos últimos dias com a votação da mudança da LDO e com as medidas que o governo vem tomando ainda neste primeiro mandato, aumentando os juros pela segunda vez no mês depois da eleição, e mais um repasse do Tesouro para o BNDES, que já foi dito pelas futuras novas autoridades econômicas que não acontecerá mais a partir do próximo ano.
Os desmandos do primeiro governo Dilma amaldiçoam as medidas mais sensatas que terão que ser tomadas a partir do próximo ano, inclusive a mudança da LDO, pois os futuros ministros temem assumir os cargos ainda neste mandato e serem eventualmente acusados de crime de responsabilidade por não terem cumprido as metas combinadas com o Congresso.
O governo conseguiu superar o prazo eleitoral sem ter que revelar completamente o descalabro das contas públicas. Um mês apenas do fechamento das urnas, a crise está mostrando sua face desagregadora.

VÍDEO HISTÓRICO, a pedidos: Homem de vida impecável, ex-amigo de Lula, Hélio Bicudo, 90 anos, explica por que se afastou do PT, critica Lula por ambição de poder e pergunta como é que o ex-presidente ficou tão rico

VÍDEO HISTÓRICO, a pedidos: Homem de vida impecável, ex-amigo de Lula, Hélio Bicudo, 90 anos, explica por que se afastou do PT, critica Lula por ambição de poder e pergunta como é que o ex-presidente ficou tão rico

Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, detonando o mito Lula (Foto: DEDOC)
Hélio Bicudo, o corajoso homem da lei que enfrentou o Esquadrão da Morte durante a ditadura: vida pessoal impecável, longa militância no PT e desilusão com o partido e com Lula (Foto: Dedoc/Editora Abril)
Post publicado originalmente a 16 de dezembro de 2012
Campeões-de-audiênciaHélio Bicudo, 90 anos, advogado e procurador de Justiça aposentado de São Paulo, é o que se costumava chamar de homem de bem. Católico, vida pessoal impecável, foi ele quem teve a coragem de enfrentar o esquema macabro do Esquadrão da Morte em plena vigência da ditadura, pondo a nu seus crimes e levando integrantes à cadeia.
Ligado originalmente à democracia cristã e ao falecido governador Carvalho Pinto, o editorialista do Estadão que eu, então jovem redator doJornal da Tarde, cumprimentava no elevador da velha sede dos dois jornais na Rua Major Quedinho — olhos muito azuis, físico diminuto e sempre ereto, levando uma invariável pastinha de couro repleta de papéis –, para surpresa de muitos filiou-se ao PT em seus primórdios.
Chegou a ser candidato a vice-governador de São Paulo na chapa de Lula, em 1982, e sua ligação com o ex-presidente era tão profunda que após a derrota abrigou o abatido companheiro em sua própria casa durante um mês. Foi secretário da prefeita Luiza Erundina, candidato ao Senado pelo PT, vice-prefeito de Marta Suplicy.
Mas se desiludiu com o PT e com Lula. Desligado há anos do partido, hoje acha que Lula só queria o poder para se locupletar, considera que os apregoados ideais do começo do PT não eram verdadeiros, que Lula nunca quis ser “Pai dos Pobres”, mas, sim, tutelar os pobres em seu próprio benefício.
Critica o aparelhamento do Estado promovido pelo ex-presidente, sua sede de poder e põe em questão até a riqueza pessoal que Lula teria acumulado.
Um espanto.
O vídeo foi gravado pelo blog Revoltados On Line, e tem 35 minutos e 29 segundos. Quem não tiver paciência para assisti-lo todo pode ficar sossegado que já nos primeiros 2 ou 3 minutos há material suficiente para meditar muito sobre o “fenômeno Lula”.
Mas no vídeo inteiro não há 30 segundos que possam ser considerados irrelevantes. Vale a pela conferir.
Há versões mais curtas, de 2 minutos e pouco, de 7 minutos e outras extensões. Muitos leitores, porém, vêm solicitando a postagem desse vídeo histórico. Então, aqui está ele:

TVEJA: ‘O PT traiu seus próprios princípios’, diz Cristovam Buarque


TVEJA: ‘O PT traiu seus próprios princípios’, diz Cristovam Buarque

O senador do PDT, ex-petista, afirmou a Joice Hasselmann que a educação no Brasil é uma “catástrofe”. Cristovam Buarque avalia ainda que o novo ministro da Fazenda Joaquim Levy é um “bom jogador em um time sem credibilidade”.

Geopolítica do petróleo (Arábia Saudita & Irã) - POR CAIO BLINDER


Ali al-Naimi, o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, em Viena, na reunião da OPEP na semana passada
Ali al-Naimi, o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, na reunião da OPEP na semana passada
Em coluna no começo da semana, eu trouxe os dados mostrando que o impacto de uma queda dos preços do barril do petróleo diverge entre os produtores, mesmo entre aqueles altamente (ou completamente) dependente das exportações. E as diferenças acentuam a disputa geopolítica entre dois integrantes essenciais do cartel da OPEP, a Arábia Saudita e o Irã.
Aliada estratégico dos EUA, a Arábia Saudita aguenta o tranco de preços relativamente baixos do barril, na faixa dos 70 dólares ou até menos. O Wall Street Journal revela que os sauditas e os pequenos países produtores do Golfo Pérsico estimam que toleram algo como 60 dólares, com os preços se estabilizando neste patamar nos próximos meses. É verdade que esta postura de testar preços mais baixos também está relacionada ao objetivo de tornar menos atraentes outras fontes e outros métodos de extração, que, ironicamente estão por cima nos nos EUA, como xisto e fraturação hidráulica.
Já o Irã está no bloco do sufoco, como a Venezuela. Apenas para equilibrar seu orçamento, os governos de Teerã e de Caracas precisam do barril do petróleo cotado a 136 dólares, conforme cálculos feitos pelo FMI em outubro. O drama iraniano aumenta devido às sanções internacionais impostas para punir seu programa nuclear (daí a urgência por um acordo nuclear para que as sanções sejam derrubadas) e também à disputa do regime xiita de Teerã com a sunita Arábia Saudita por hegemonia no Oriente Médio.
A Rússia, próxima do regime iraniano, também é alvo de sanções (americanas e europeias) por sua agressão na Ucrânia e está no sufoco com a baixa dos preços do petróleo. No cálculo do FMI, precisa do preço do barril em 101 dólares para equilibrar o orçamento.
Os sauditas são mestres no uso do preço do petróleo como arma econômica e diplomática. Um caso histórico foi a quadruplicação dos preços engatilihada pelo embargo das exportacões orquestrado por Riad em resposta à Guerra do Yom Kippur. Há 40 anos, o alvo era Israel. Hoje, para os sauditas, é o Irã.
Mesmo com a competição econômica no jogo petrolífero, os sauditas dão uma mão geopolítica aos americanos. Petróleo a preço mais baixo pode dobrar o Irã na frente nuclear e amansar o urso Putin na Ucrânia (e por extensão na Síria, onde o ditador Bashar Assad depende do Irã e da Rússia). Claro que os dois países feridos com a baixa dos preços do petróleo podem ficar ainda mais enfurecidos e não mais mansos.  No entanto, a aposta americana mais forte é que com a ajuda do aliado saudita existem maiores possiblidades de enquadrar Moscou e Teerã.
A jogada representa riscos também para os sauditas. Afinal, eles se acostumaram à mamata de altos preços do petróleo. As receitas de sua exportação são vitais para financiar gastos públicos e, muito importante, gastos sociais para enquadrar a população.

Francis e o Petrolinho Mr. Blinder, Paulo Francis, Lucas Mendes e Nelson Motta (a equipe original do Manhattan Connection)


Francis e o Petrolinho

Mr. Blinder, Paulo Francis, Lucas Mendes e Nelson Motta (a equipe original do Manhattan Connection)
Mr. Blinder, Paulo Francis, Lucas Mendes e Nelson Motta (a equipe original do Manhattan Connection)
É com honra e emoção que o Instituto Blinder & Blainder oferece o espaço dominical para o chefe, colega e amigo Lucas Mendes. Lucas escreveu o texto abaixo especialmente para a BBC Brasil e ele foi originalmente publicado no sábado. Nesta noite de domingo, no Manhattan Connection, mais conversa sobre a conexão Francis/Petrobras.
***
Lucas Mendes
Naquele outubro de 1996, no café da manhã antes da gravação, Francis estava de mau humor. Era normal. Acabava de sair da cama.
Meia hora depois ele estava de bom humor. Era normal. Nossa conversa na copa antes de gravar era fiada. Francis não falou em Petrobras. No meio do programa, ele jorrou denúncia e transcrevo a gravação:
Francis: “Os diretores da Petrobras todos põe o dinheiro lá…(Suíça) tem conta de 60 milhões de dólares…”
Lucas: “Olha que isso vai dar processo…”
Francis: “É…um amigo meu advogado almoçou com um banqueiro suíço e eles falaram que bom mesmo é brasileiro (…) que coloca 50 milhões de dólares e deixa lá”.
Lucas: “Os diretores da Petrobras tem 50 milhões de dólares?”
Francis: “Ahh é claro… imaginem… roubam… superfaturamento…é a maior quadrilha que já existiu no Brasil”.
Foi além, mas não deu nomes dos diretores. Nem citou fontes. No próprio programa, o número variou de US$ 50 milhões para 60 milhões. Preocupado, perguntei se queria que cortasse a denúncia, embora o programa, depois de gravado, só sofra cortes por tempo. Francis disse que não.
Na imprensa, numa escala de 1 a 10 em repercussão, a denúncia do Francis mal registrou uns 2 pontinhos. Saíram notas em colunas. Ninguém cobrou da Petrobras. Não sei por que o Francis nunca levou a denúncia para os poderosos Globo, Estadão e Jornal da Globo, onde trabalhava, além do Manhattan Connection, e tinham calibre muito mais grosso do que o GNT.
Seria o poder da Petrobras de silenciar a mídia com sua publicidade? Ou sua reputação na época estava acima de qualquer suspeita? A limitada audiência do canal?
Em novembro, Francis anunciou no programa, também sem aviso prévio, que estava sendo processado pelos diretores da Petrobras, que “queriam US$ 100 milhões de indenização”. Na primeira página da carta de intimação dos advogados dos diretores aparecem sete nomes, mas não há este número.
Ainda não descobri de onde saiu. Estes valores quase nunca constam da primeira comunicação entre o processador e o processado.
E pagou sete mil…
Francis entrou num inferno legal. Por sugestão do amigo Ronald Levinsohn, contratou uma advogada e pagou US$ 7 mil. Quando comentei que não era muito, o Francis ficou furioso. Disse que eu não sabia das finanças dele. Até que sabia, porque ele me contava, mas uma só defesa num processo grande poderia destruir a poupança dele. Se perdesse, ficaria arruinado por muito menos do que US$ 100 milhões.
Repercussão na imprensa sobre o processo? Mínima. Saíram notas sobre os assombrosos US$ 100 milhões.
Arrasado
Em dezembro, Francis foi passar o Ano Novo em Paris com Sonia Nolasco, Diogo e Anna Mainardi. Diogo disse que ele parecia arrasado. Poucas semanas depois, em janeiro, ligou para o Diogo animadíssimo. Tudo estava sob controle. Diogo comentou com a mulher que o Francis devia ter tomado a bolinha certa naquele dia.
É possível que Paulo Mercadante, seu advogado no Brasil e amigo desde os tempos de Pasquim, tenha informado a ele que o processo não poderia correr na Justiça americana, porque o programa não ia ao ar nos Estados Unidos. Este tipo de processo no Brasil está mais para um punhado de reais do que para os absurdos US$ 100 milhões que assombravam o Francis.
Dia 28 de janeiro, sexta feira, Francis apareceu na gravação passando a mão no ombro esquerdo e se queixando de dor. Saiu direto para o médico, Jesus Cheda, tomar uma injeção de cortisona, como sempre fazia quando estas dores apareciam. Bursite, dizia.
Quatro dias depois, terça-feira, por volta de 5 da manhã, Francis sofreu um fulminante ataque cardíaco e caiu morto no meio da sala, onde ainda estava quando cheguei. O telefone não parava, Sonia nao atendia. Atendeu um deles, do presidente Fernando Henrique Cardoso, que deu uma bronca póstuma no Francis pela irresponsabilidade com a própria saúde.
Francis, havia muitos anos, tinha parado de tomar porres, de fumar e de comer bifões crus. O controle da Sonia deu resultado, mas o controle não resolveu o problema da saúde preventiva nem o sedentarismo. Ela não conseguia levá-lo a médicos sérios para fazer check-ups regulares.
Cheesebúrgueres
Melhorou a dieta, mas continuou chegado nos cheesebúrgeres do PJ Clarke’s na frente da Globo na hora do almoço e comida chinesa perto da casa dele, onde fez sua última ceia, no Chien. Parecia um touro de forte. Teve tumores benignos no pescoço, mas não adoecia e nunca deixava de trabalhar. Nem fazia exercício, Nunca. O máximo era uma caminhada semanal com Elio Gaspari do museu Metropolitan ao restaurante Bravo Gianni, onde repunha as calorias perdidas na caminhada cultural.
Era o dia favorito dele. As noites favoritas eram no balé, com Sonia, ou assistindo óperas e filmes antigos em casa. O último na noite da morte, foi Notorious (Interlúdio no Brasil), de Hitchcock, com Cary Grant e Ingrid Bergman. Da denúncia à morte de Francis foram quatro meses.
Os diretores da Petrobras foram atrás do espólio e da viúva Sonia Nolasco, mas, em parte, por intervenção do presidente Fernando Henrique Cardoso e do próprio advogado, Paulo Mercadante, desistiram do processo. Felizmente o Brasil não desistiu. O petrolinho do profético Francis gerou o Petrolão. A operação Lava Jato deveria ser rebatizada Operação Paulo Francis.
***
Colher de chá antecipada para ele, Paulo Francis, e Lucas Mendes.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Veja o Roda Viva com o músico, ator e dançarino Antonio Nóbrega


Veja o Roda Viva com o músico, ator e dançarino Antonio Nóbrega

Músico, dançarino e ator, Antonio Nóbrega foi o convidado do Roda Viva desta segunda-feira. Entre muitos outros assuntos, o múltiplo artista pernambucano tratou do filme “Brincante”, cujo lançamento está previsto para o fim deste mês, que resume a extensa trajetória profissional iniciada no Quinteto Armorial, idealizado por Ariano Suassuna. Um craque em matéria de cultura popular, Nóbrega brindou os telespectadores com passos de frevo, dança típica dos carnavais de Olinda e Recife.
A bancada de entrevistadores foi composta pelos jornalistas Rinaldo Gama (VEJA), Ana Francisca Ponzio (Conectedance), Fernanda Reis (Folha de S. Paulo), Patricia Palumbo (Vozes do Brasil) e Júlio Maria (O Estado de S. Paulo).

Pablo Catatumbo, das FARC: um sanguinário depravado sexual

PABLO CATATUMBO DISCURSA EM HAVANA
Quando o terrorista Jorge Torres Victoria, vulgo Pablo Catatumbo apareceu em Havana, passado de quilos como conseqüência da vida mole que leva no Valle del Cauca e com o descarado discurso de ser pacifista, intelectual, historiador e até humanista, segundo disseram os superficiais jornalistas que cobrem a informação da farsa de Santos, ninguém publicou nem pôs atenção ao estarrecedor prontuário criminal deste bandido calenho [1] que foi freqüentador de Pablo Escobar, membro do M-19, delinqüente de bairro e um dos cabeças mais sanguinários das FARC com perversa inclinação à pedofilia, o sicariato, o narco-tráfico e o seqüestro. O mais comovedor que rumorejaram os jornalistas é que este assassino em série estava doente de câncer e os médicos cubanos o atenderiam.
O testemunho da desmobilizada Marisela Narváez, ex-integrante das Frentes 43, 26 e 27 das FARC é claro e contundente, e deveria ser tema de profunda análise na mesa de conversações em Cuba, pois os crimes e as atrocidades ordenadas pelos capos do cartel das FARC são demasiadas e não podem ficar na tropical proposta do Promotor Montealegre, segundo o qual os bandidos farianos não pagariam um só dia de cárcere, senão que fariam trabalhos comunitários para um “esquecer e começar de novo”.
Em contraste, a Colômbia inteira quer que cada integrante da justiça cumpra com o dever para o qual foi nomeado, que investigue e acuse ante os juízes correspondentes criminosos como Catatumbo, para que paguem por condutas delitivas aberrantes como a seguinte:
Marisela Martínez Narváez, vulgo Nancy, uma bonita loura de pele cor de canela e olhos cor de mel, foi até o inferno e voltou durante vários anos de sua vida.
Não cabe outra definição para descrever as vivências desta jovem bogotana, nascida em um lar rico no bairro Rionegro da capital da república, criada com todas as comodidades da vida moderna e educada em um colégio dirigido por religiosas, até quando por azar da vida terminou enrolada nas FARC, com a idade de 13 anos.
O pai e a mãe de Marisela se separaram quando ela tinha apenas seis anos de idade. Por acordo mútuo, decidiram que a menina ficaria vivendo com o pai na casa do bairro Rionegro, porque a mãe foi para Medellín viver com seu amante.
O pai de Marisela comercializava com esmeraldas, negócio do qual obtinha suculentos rendimentos. Seu comportamento licencioso e as prolongadas ausências como chefe da casa incidiram na personalidade perturbada de sua filha, que cresceu ao lado de diferentes empregadas domésticas, portanto, nunca teve nem carinho nem orientação de seus pais.
Quando Marisela completou 11 anos entrou para o sétimo ano, porém já era um estorvo para seu pai que quase diariamente levava prostitutas e amantes ocasionais para casa, e a filha que recebia formação religiosa lhe reclamava que não fizesse aquilo.
O comerciante de esmeraldas optou por enviá-la para viver com os padrinhos de batismo no bairro El Campín. A madrinha sentia inveja porque Marisela estudava num colégio melhor que o de suas filhas, complexo que exteriorizava ao lhe diminuir a porção de alimentos, lhe limitava as saídas à rua, não lhe entregava os dinheiros que seu pai lhe enviava, e para completar a desdita, o padrinho tentou violentá-la várias vezes.
O triste e desafortunado para ela era que não tinha ninguém a quem contar seus sofrimentos, ou em quem confiar seus segredos. Sua vida já era um inferno e ela não sabia que ia cair em outro pior.
Quando Marisela terminou o nono ano, falava e escrevia o idioma inglês com fluência, virtude que desatou ainda mais invejas em sua madrinha. Iniciadas as férias de final de ano, Marisela pôde falar com seu pai que lhe comentou que havia comprado uma fazenda de gado em Puerto Lleras, Meta.
Ansiosa por sair do minúsculo espaço de intrigas, invejas, maus tratos e humilhações, pediu a seu pai que a levasse a essa fazenda para passar férias. As extensas planuras, o clima cálido, o ar puro, o gado, as paisagens e em geral a vida aberta como uma flor em primavera impressionaram Marisela, que rogou a seu pai que a deixasse ali até que terminassem as férias.
Como o pai não tinha nenhum interesse em cuidar de sua filha e lhe importava muito pouco qual fosse sua sorte, aceitou o pedido da jovem e ele voltou a Bogotá.
Uma semana depois de estar lá, Marisela descobriu a verdade. Seu pai comprou a fazenda para cultivar coca com a aparência de criar gado. A descoberta a desalentou mais, quando descobriu que o local era freqüentado por terroristas da Frente 43 das FARC para cobrar a quota de gramagem e, além disso, atuavam como co-administradores do negócio ilícito em que seu pai estava metido.
Até esse momento os conceitos que Marisela tinha a respeito das FARC e do narco-tráfico eram esses dois que a rádio e a televisão projetavam.
Chorou muito ao evidenciar que o único ser que ela tinha na vida, quer dizer, de quem dependia seu futuro, estivesse implicado em tratos com as organizações delitivas mais procuradas pelas autoridades. Ela intuía que nesse espaço sombrio do delito, seu pai poderia morrer ou ser capturado, e ela ficaria desamparada no mundo.
A aparência exterior de menina da cidade chamou a atenção dos terroristas que comentaram ao cabeça do grupo que na fazenda de Narváez havia uma jovem muito bonita, que falava inglês e queria conhecer um acampamento das FARC. O cabeça foi até a fazenda e entrevistou Marisela. Como o delinqüente foi a primeira pessoa que ouviu os problemas que afligiam Marisela, surgiu entre os dois uma espécie de simpatia compreensiva.
O experiente terrorista lhe referiu haver estudado alguns semestres de sociologia na Universidade Nacional, que também era bogotano, que provinha de uma família bem de vida e que evidenciara que o dinheiro não era tudo. Depois lhe propôs que entrasse na guerrilha, já que nesses dias seqüestraram dois norte-americanos na serra da Macarena e ela podia servir-lhes como intérprete.
A incauta jovenzinha lhe disse que não desejava ser guerrilheira, que simplesmente tinha curiosidade em conhecer um acampamento guerrilheiro por dentro para saber como se vivia lá, já que o conceito que ela tinha das FARC era o de pessoas que causavam muitos danos ao país.
O habilidoso cabeça a enganou ao dizer que aceitava levá-la à guarida para que conhecesse de perto como se vivia lá, mas quando chegaram ao local outros terroristas lhe disseram que ela não poderia voltar à sua casa assim sem mais nem menos, porque a partir desse momento já era considerada uma guerrilheira das FARC.
Nesse momento apareceu a amante do cabeça e disse a Marisela que se alistasse porque seria integrada a um curso político-militar para jovens de sua idade, que iniciaria em três dias, ao cabo dos quais chegaram 27 camponeses adolescentes como Marisela para compartilhar com ela os ensinamentos iniciais da guerra de guerrilhas.
Seu pai voltou a Puerto Lleras um mês mais tarde, com a finalidade de retornar a Bogotá com Marisela, porém, como os administradores da fazenda lhe comentaram que sua filha andava com a guerrilha, ele negou-se a pagar a quota de gramagem se não lhe devolvessem sua filha.
Os terroristas da Frente 43 das FARC o assassinaram e ocultaram a verdade a Marisela, até dois meses antes dela escapar da guerrilha, quando um deles que a cortejava lhe confessou a verdade, já que os delinqüentes a tinham convencido de que seu pai não havia voltado à região porque estava desgostoso, porque ela havia entrado para as FARC.
Durante os três primeiros meses de treinamento Marisela chorava muito. Deixou de comer, adoeceu de uma infecção intestinal e quase morre. Era muito duro para uma menina de sua idade, criada em meio às comodidades citadinas, amoldar-se à inóspita vida da selva.
Com cinismo, os terroristas repetiam que seu pai manifestava que se a visse era capaz de matá-la. Como não tinha outra alternativa, aceitou permanecer nas FARC para não conviver com sua madrinha em Bogotá.
Terminado o curso, Marisela foi enviada à Frente 27 dirigida por Pablo Catatumbo [2], que lhe pôs o olho desde quando chegou à sua guarida. A primeira noite Catatumbo foi à tenda de Marisela propor que dormisse com ele porque, segundo suas palavras, amancebar-se com o chefe da Frente lhe daria certo status entre os terroristas, além de alguns privilégio dos quais os demais não gozavam.
Catatumbo estava bêbado e falava incoerências. Assustada, Marisela o esbofeteou e gritou em busca de ajuda. Arnulfo, o relevante, convenceu Catatumbo para que passasse ao repouso. No dia seguinte Catatumbo reuniu todos os terroristas para comunicar-lhes que na noite anterior Marisela havia tentado matá-lo, e que ele mesmo a fuzilaria quando lhe fizessem o conselho de guerra, depois que voltasse do Secretariado de uma reunião com Tirofijo. Ordenou que a amarrassem e pariu para Casa Verde.
Era tal a fragilidade e a aparência inofensiva de Marisela que o segundo cabeça dispôs que a soltassem e quando Catatumbo voltou, o convenceu de que não a assassinasse. Nesses dias chegou à guarida a concubina de Catatumbo, uma médica graduada que trabalha como professora em uma Universidade em Bogotá.
A amante do chefe terrorista permaneceu um mês no lugar e tomou certo apreço a Marisela, que não se atreveu a contar-lhe que Catatumbo tentou violentá-la e queria fuzilá-la. Além disso, para evitar que os demais bandoleiros soubessem a verdade, Catatumbo coordenou no Secretariado a transferência de Arnulfo para uma das Frentes que delinqüem em Cundinamarca.
A visita da amante de Catatumbo à guarida coincidiu com a execução do plano de limpeza interna das FARC, ordenado por Jacobo e Tirofijo, denominado pelos cabeças comunistas com o mote de Plano Condor fariano. Essa foi a razão para a reunião que motivou a ausência intempestiva de Catatumbo, o depravado sexual.
Dos crimes ordenados por Pablo Catatumbo, o que mais impressionou Marisela foi o de um menino de 9 ou 10 anos de idade, fuzilado por intrigas de “Emilio cancharina”, um cabeça de esquadra rude, muito dado às piadas e às intrigas para ganhar a confiança de Catatumbo e do Mono Jojoy.
Uma tarde a esquadra de cancharina regressou à guarida, depois de recolher a economia [3]. Todos os terroristas haviam carregado pesados sacos, inclusive o menor de idade a quem também lhe colocaram cargas de duas arrobas cada ciclo. Estavam esgotados e queriam preparar um refresco para beber. Como o menino era o menor de todos, cancharina lhe ordenou:
- Vai, chino, e apanha a água no rego.
“Envie outra pessoa para cumprir a tarefa, porque estou muito cansado”. Ofuscado, o ignorante cabeça deu um tapa na cara do infante e depois lhe golpeou em várias partes do corpo com a parte plana de um facão.
Dolorido pelos golpes o menino lhe gritou:
- Velho filho da puta aproveitador, um dia desses eu vôo daqui e lhes trago o Exército para que peguem todos vocês.
Ferido em seu orgulho e arrogância, cancharina ordenou que o amarrassem e o levaram à tenda. Marisela presenciou o tremendo golpe e depois o forjado informe de cancharina a Catatumbo, dizendo que o menino lhe havia apontado com um fuzil para matá-lo, que tinha um irmão na Polícia e outros no DAS, portanto, tratava-se de um infiltrado pelo inimigo que a qualquer momento podia traí-los.
Catatumbo e sua amante estiveram de acordo que, ao assassinar esse menino, os demais infiltrados cairiam com rapidez, se sentaria um precedente e se informaria aos camaradas Manuel e Jacobo que o Plano Condor estava em plena execução, porque já estavam detectando e justiçando os infiltrados.
Em menos tempo do que Marisela esperava, os cabeças convocaram o conselho de guerra. As acusações do promotor contra o menino foram aterradoras. Até o acusaram de imaturidade revolucionária produzida pela alienação mental que o inimigo lhe causou.
No momento de fazer a exposição de sua defesa o infante implorou:
- Senhor Pablo, lhe peço que contem à minha mãe lá em Fuente de Oro e que me ponham uma cruz onde me enterrarem.
As desesperadas frases do indefeso menor de idade não comoveram Catatumbo, mas afetaram sim a Marisela, que temia que por não ter permitido que Catatumbo a violentasse, poderia se sentar no banco dos acusados, com o terrível agravante de que a versão do cabeça seria a válida e que a que dariam credibilidade para tomar as mortíferas decisões nos conselhos de guerra.
Devido a que Arnulfo era a única testemunha dos fatos e já não estava ali para declarar a seu favor, Marisela também votou contra sua vontade pelo fuzilamento do menino. A votação contra o traidor criminoso foi unânime, porque ninguém queria reconhecer méritos em quem “atentou contra a vida de um camarada comandante”.
Marisela também presenciou o assassinato de Rosalba Reyes, vulgo Carmen, uma camponesa do povo [4] nascida e criada em Fuente de Oro-Meta. Quando tinha 16 anos, Rosalba foi namorada de um agente de polícia, mas o fardado foi transferido para Barranquilla e ela jamais voltou a saber nada dele.
Completados os 17 anos, Rosalba ingressou nas FARC convidada por um primo que raspava folha de coca e a negociava em Puerto Toledo-Meta. A desditosa jovem carregava na mochila a foto de seu primeiro amor, e algumas cartas platônicas que lhe escrevia dizendo que por ele voltaria à vida civil, ou até informava onde se encontrava.
O Plano Condor continuava de pé. Uma manhã, Catatumbo ordenou a revisão das mochilas de todos os terroristas, com tanta má sorte para Carmen que cancharina encontrou a foto do agente de polícia e as cartas. A trama foi urdida de imediato.
Imputaram-lhe denúncias por delitos graves contra as FARC. Culparam-na de ser infiltrada, pertencer a uma rede de inteligência inimiga, de ser traidora, etc. Nessa mesma tarde Wilson, um terrorista natural de San José del Guaviare a fuzilou, do mesmo modo como crivou de balas o menino de 10 anos.
Outra situação aberrante foi a experimentada por Isabel, uma jovem terrorista órfã de pais que ingressou na Frente 27 das FARC em Vistahermosa-Meta. A jovem padecia de transtornos emocionais e psíquicos. Na guarida circulava um exemplar da revista Semana, na qual havia a foto de um agente de polícia.
Ingênua, Isabel recortou a fotografia e a guardou dentro de sua mochila porque, segundo ela, se parecia com seu pai. Leicer se deu conta de que a jovem carregava consigo a tal foto e a delatou a Catatumbo, que mandou procurar a mochila e a convocatória imediata de um conselho de guerra, para aplicar a justiça revolucionária aos traidores do movimento armado.
Desta vez a amante de Catatumbo interveio asseverando que Isabel não tinha os cinco sentidos em ordem, então, prorrogou-se o assassinato da inocente vítima, a quem se lhe tomou o armamento e lhe designaram funções de rancho e lavagem de roupas. Uma semana depois Wilson surpreendeu Chiqui, como chamavam Isabel, fornicando com outro terrorista que nesse momento se encontrava de guarda ou sentinela.
A acusação foi imediata contra os dois traidores que, segundo Catatumbo, estavam de acordo com o Exército para deixar os soldados passarem por esse setor para a guarida.
Em um acelerado conselho de guerra, ambos foram declarados culpados e fuzilados por Wilson “o carniceiro”. Além disso, Marisela observou que mediante este procedimento demencial, Pablo Catatumbo, também conhecido com os cognomes Aníbal ou Hernán, cumpriu ao pé da letra as instruções do Plano Condor, e ordenou o assassinato de aproximadamente 50 terroristas das Frentes 26, 27 e 43. Depois foi delegado pelo Secretariado das FARC em Caracas e Tlaxcala, para falar de paz e direitos humanos com delegados do governo nacional.
Quando Tirofijo resolveu suspender os assassinatos nas guaridas, porque haviam ultrapassado ao cometer excessivos crimes e violações contra os direitos humanos, Pablo Catatumbo e Martín Sombra [5] fizeram uma assembléia com os sobreviventes para esclarecer-lhes que nem todos os assassinados eram infiltrados, senão que entre eles havia lumpen, quer dizer, uma escória social que deviam eliminar, para o bem do movimento armado e sua projeção política na vida colombiana.
Por sua parte, Marcelino Trujillo Bustos, vulgo Martín Villa, um dos terroristas mais antigos das FARC e que também participou dos assassinatos, afirmou que assim impediram a sabotagem do inimigo e a infiltração de qualquer pessoa no movimento.
As justificativas do massacre foram tão descabidas quanto atrozes. Marisela pensou em suicidar-se, mas como mantinha a fé em Deus e para ela seguiam vigentes os conceitos religiosos que lhe inculcaram no colégio, suportou a tortura de permanecer nas FARC.
Entre os jovens sacrificados caíram alguns filhos de reconhecidos auxiliadores da guerrilha no Meta, a quem mentiram ao lhes dizer que seus filhos morreram em combates contra o Exército. Sem dúvida, a estruturação marxista-leninista do cartel das FARC os converte nos mestres da mentira e do engano.
Terminada a assembléia, Marisela falou com José Antonio Vargas, vulgo Esteban, cabeça da Frente 26, para que a levasse para lá, já que tinha medo que Catatumbo a assassinasse. Esteban intercedeu por Marisela e Catatumbo aceitou sua transferência.
Porém, antes de partir ela teve que esperar para assistir ao conselho de guerra e fuzilamento de Elkin, outro terrorista menor de idade que, por descuido com o material, perdeu as peças de um fuzil e foi acusado de fazê-lo de propósito, para que o inimigo os atacasse e os surpreendesse sem as armas suficientes para se defender. Para ler a história completa faça clic aqui (http://www.luisvillamarin.com/obras/conflicto-colombiano/1/31-la-selva-roja.html).

Notas da tradutora e do autor:
[1] Natural de Cali (G.S.)
[2] Em junho de 1992, a Revista Semana informou que entre os processos na Justiça norte-americana contra narco-traficantes há um contra Pablo Catatumbo, porta-voz das FARC em Tlaxcala, México, investigado pelo plantio de papoula e a produção de heroína por parte de uma Frente das FARC. Jairo Bárcenas diz que Catatumbo desertou das FARC, porém que Jacobo o localizou no México de onde o trouxe e lhe perdoou a falta.
[3] Remessa.
[4] Pessoa nascida em uma vereda, e que vive na área urbana do município ao qual pertence.
[5] Anos mais tarde carcereiro de militares, policiais e dirigentes políticos seqüestrados pelas FARC.

Tradução: Graça Salgueiro

domingo, 23 de novembro de 2014

"A ameaça do Estado Islâmico", por Merval Pereira O Globo


Os conceitos universais comuns às civilizações, como os direitos humanos, ou a democracia, são colocados em causa quando ações como as do Estado Islâmico não respeitam as diferenças, fazendo esvair-se a contemporaneidade do Estado-Nação diante da emergência dos califados. 


A Conferência de Omã também debaterá as mudanças conceituais da democracia, questionada pela falta de representatividade de sua representação política e a necessidade de ampliar-se a participação popular com plebiscitos e referendos.

O professor espanhol Daniel Innenarity abordará os riscos que a democracia pode trazer para si mesma com a baixa política. Dois especialistas farão palestras sobre as experiências locais com temas universais como direitos humanos e democracia. Radwan Al Sayyed, do Líbano, falará sobre os direitos humanos no pensamento contemporâneo islâmico. E Abdulrahman Al-Salimi, de Omã, abordará a experiência de seu país com a coexistência e o pluralismo e as perspectivas para sair do impasse. Marco Luchesi, da Academia Brasileira de Letras, falará sobre novas possibilidades de diálogo entre o Ocidente e o Oriente.

Os avanços conseguidos nas relações internacionais com a chegada dos Brics superando a premissa de globalização, ou a superação da relação de centro e periferia, estão confrontados pela existência do Estado Islâmico, e a Conferência de Omã pretende discutir como avançar nas relações internacionais na visão crítica da crença, muitas vezes ingênua, de que se possa chegar à convivência pela intrínseca virtude ou boa vontade do diálogo. 

Depois de quase 15 anos de atividade, a Academia da Latinidade chega à Conferência de Omã constatando que é preciso ir além da mera tolerância com o outro, pois o pluralismo não é mais apenas uma regra da coexistência, mas uma prática indispensável. 

O Estado Islâmico, no entanto, está aí para mostrar até que ponto o respeito pelo outro é afetado nos dias atuais. As dificuldades do momento por que passa o mundo podem ser compreendidas pelo título do trabalho de Candido Mendes: “A caminho da impossível coexistência internacional”.

Começa hoje em Omã, no Oriente Médio, mais uma conferência da Academia da Latinidade, que reúne intelectuais de diversas partes do mundo para discutir a melhoria da relação entre o Ocidente e o Oriente, desta vez sob a ameaça do que o sociólogo brasileiro Candido Mendes de Almeida, secretário-geral da organização, classifica de “repto-limite à própria noção da coexistência internacional”, o Estado Islâmico. A Academia da Latinidade vem se dedicando à aproximação entre as civilizações e vê com grande preocupação o desaparecimento “do reconhecimento do outro, que identifica a própria noção de progresso e do avanço da vida social contemporânea”.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Imagens em Movimento: Um ser encantado chamado Manoel de Barros - SYLVIO DO AMARAL ROCHA


unnamed (1)Nesta quinta-feira, 13 de novembro, Manoel de Barros virou árvore. Em 2006, aos 90 anos, quando ainda era gente, respondeu às provocações da jornalista Mariana Filgueiras, que transformou em perguntas os versos do poeta e realizou uma das mais belas entrevistas já publicadas no Jornal do Brasil. Seria muito bom se toda entrevista pudesse ser assim. Seria maravilhoso se todos os seres pudessem ser Manoel de Barros.
“Em poesia a Razão é acessório”, começa uma das respostas de Manoel. “Quem manda em poesia é a visão. Nem o ver é fundamental. O ver também é acessório. Quem manda é a visão. A visão vem completada de loucuras, fantasias e bobagens profundas”. Visão teve também o diretor Pedro Cezar, quando libertou o poeta em imagens. O longa Só dez por cento é mentira, de 2008, é um daqueles filmes que não deveriam acabar nunca. É  acessório ver o filme. Fundamental é entender que os sentimentos cabem todos na ponta de um lápis.
O gigante Manoel fará falta. Mas bastará abrir um de seus livros para entrar em contato com o que existe de mais importante na vida. As loucuras, fantasias e bobagens profundas que transbordavam dele tornam a vida mais encantada. Difícil? “Difícil é fotografar o silêncio”, como diz o título do poema – fundamental ─ declamado pela voz de Antonio Abujamra no vídeo abaixo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

MUDA - POEMA DE CIÇO POETA DE CAETÉS

Muda




Mesmo sendo o mesmo
Eu nunca fui igual a mim
Sempre fui mudando
Do começo até o fim
E mudando essas mudanças
Mudo o mundo e mudo a mim
Mesmo o mundo sendo o mesmo
Mudando desde o começo
Muda tudo e mesmo assim
Não muda o fato da vida
Ter começo, meio e fim.

Sobre a PETROBRAS, Paulo Francis estava certíssimo. Morreu sem saber o tamanho do buraco. E processado pelos bandidos que agora têm de mostrar a cara. - DO BLOG DE HADRIEL FERREIRA

Sobre a PETROBRAS, Paulo Francis estava certíssimo. Morreu sem saber o tamanho do buraco. E processado pelos bandidos que agora têm de mostrar a cara.

Caro Francis, você tinha que estar aqui pra ver isso.
No final de sua vida, o jornalista Paulo Francis foi atormentado por um processo judicial.

Francis havia dito no programa “Manhattan Connection” que “os diretores da Petrobras todos têm conta na Suíça.”

O então presidente da Petrobras, Joel Rennó, resolveu mover-lhe um processo nos EUA, usando, claro,advogados pagos pela empresa. E como tudo na Petrobras sempre tendeu ao superfaturamento, a estatal pediu logo 100 milhões de dólares de indenização, um dinheiro que Francis nunca teve nem jamais teria.

Atordoado pelo ‘assédio jurídico’, Francis perdeu o sono e, coincidência ou não, acabou tendo um ataque cardíaco que o matou em fevereiro de 1997.

Há vasta literatura contra e a favor da tese de que o processo foi o fator determinante para sua morte, mas pelo menos uma coisa já pode ser pacificada: as descobertas da operação Lava Jato e os mandados de prisão executados nesta sexta-feira mostram que Francis pôs o dedo na ferida certa.

De lá pra cá, a corrupção na Petrobras passou de endêmica a epidêmica, mas a empresa continua vivendo das boas graças do contribuinte brasileiro — não se esqueça, é o “orgulho nacional” — enquanto é usada para servir a interesses políticos e particulares.

Paulo Francis não está vivo para ver as entranhas da Petrobras expostas à sociedade, mas a sociedade já deveria estar madura o suficiente para discutir se as empresas estatais deveriam ser as vacas sagradas que ainda são — enquanto o contribuinte é a vaquinha de presépio da maior estatal de todas, a Roubobrás.

Com agradecimentos à GNT, a coluna dá a palavra a Paulo Francis, in memoriam.

Texto: Geraldo Samor. Mudei o título.

Ser “progressista” e odiar a classe média ganhando mais de R$ 20 mil é fácil… VEJAM O CASO DA USP E DE MARILENA CHAUÍ - POR RODRIGO CONSTANTINO


Ser “progressista” e odiar a classe média ganhando mais de R$ 20 mil é fácil…

Caro leitor, sei que já deve ter visto esse vídeo, mas nunca é demais revê-lo:
Temos aí uma das filósofas mais importantes do petismo, uma “intelectual” que ajudou a “vender” a imagem de Lula como um salvador da Pátria, como um ex-operário que iria finalmente fazer “justiça social” no Brasil. Quando Lula fala, o mundo se ilumina para Marilena Chaui.
Ela diz que odeia a classe média, que ela é o que há de mais reacionário, fascista, conservador (como se fossem sinônimos). Enquanto diz isso, Lula sorri ao lado, acha graça. A classe média, afinal, não tem tempo para ser “revolucionária” e “progressista”, para defender utopias socialistas, pois está ralando para pagar as contas do fim do mês e ainda os impostos que bancam as farras dos políticos e seus companheiros.
Agora vejam isso:
Marinela Chaui

Esses são os rendimentos mensais de Marilena Chaui na USP, obtidos pelo ranking de saláriosda universidade divulgado pela Folha. Quantos brasileiros ganham mais de R$ 20 mil por mês? Quantos da classe média poderiam ter esse luxo para dar aulas de filosofia e repetir para os alunos que a classe média é fascista?
A USP está quebrada. Deve ter um rombo de quase R$ 1 bilhão em 2015, sendo que R$ 845 milhões serão apenas com a folha de pagamento. A universidade vem perdendo lugar no ranking internacional, e não se encontra mais entre as 200 melhores do mundo. Mas os salários dos professores…
Agora entendem os motivos pelos quais esses “intelectuais” defendem tanto o modelo estatizante e esquerdista? Em que outro regime poderiam ganhar mais de R$ 20 mil mensais para criticar o capitalismo, a ganância, o lucro e a classe média?
No capitalismo de livre mercado, o mérito e as escolhas voluntárias são fundamentais. Marilena Chaui odeia isso. Ela quer elogiar a revolução marxista e encher a cabeça dos jovens com baboseira socialista, enquanto vai para casa com mais de R$ 20 mil por mês. Quem paga a conta? A classe média “fascista” e “reacionária”, claro!
Rodrigo Constantino