domingo, 2 de agosto de 2015

Missão Rosetta: cometa é uma ‘sopa orgânica congelada’


Sete estudos publicados nesta quinta-feira (30) na revista 'Science' fazem o retrato mais preciso do cometa onde pousou o robô Philae, levado pela sonda Rosetta

Por: Rita Loiola - Atualizado em 

Uma série de estudos publicados nesta quinta-feira (30) na revista Science fez o retrato mais preciso até o momento do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, onde pousou o robô Philae, entregue pela sonda Rosetta, em novembro do ano passado.
Os cientistas descrevem em sete artigos os detalhes do pouso (Philae inesperadamente 'quicou' duas vezes antes de se ancorar no cometa), aspectos do interior e da superfície do cometa e, o mais revelador, sua composição. Na definição dos pesquisadores envolvidos nos estudos, o cometa parece uma 'sopa orgânica congelada', com moléculas que podem ser consideradas precursoras da vida na Terra. Um planeta com condições favoráveis à vida que recebesse o cometa poderia provocar a multiplicação desses compostos que, no futuro, talvez gerassem algum processo vital.
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Compostos orgânicos - Feito pelos restos de um sistema solar de 4,5 bilhões de anos, o 67P é composto em sua maior parte de gelo (são cinco vezes mais gelo que rochas), tem uma superfície granulada e fofa que recobre um interior duro. Parece uma esponja, muito porosa, com 75% a 85% do volume total feito de espaços vazios.
Todo esse corpo é rico em moléculas orgânicas, mais variadas que o esperado. Os instrumentos Cosac (Cometary Sampling and Composition) e Ptolemy, responsáveis por colher e analisar amostras da superfície, encontraram dezesseis compostos orgânicos. Desses, quatro (metil-isocianato, acetona, propionaldeído e acetamido) jamais tinham sido identificados em um cometa. Ele seria assim uma "sopa primordial congelada", nas palavras do astrônomo Ian Wright, responsável pelo instrumento Ptolemy, o que significa, em outras palavras, uma "sopa orgânica congelada".
De acordo com os cientistas, algumas dessas moléculas são consideradas como possíveis de dar origem à vida, pois intervêm na formação de aminoácidos essenciais e de bases nucleicas.
Segundo algumas teorias, os cometas podem ter sido os responsáveis por trazer a água ou até mesmo vida à Terra. Um dos principais objetivos da missão Rosetta era verificar a composição do gelo que forma o 67P, pra ver se corresponde à composição de isótopos da água da Terra (veja outros detalhes em reportagem a ser publicada neste fim de semana no site de VEJA). Um estudo publicado em dezembro do ano passado também na Science mostrou que a água do cometa é diferente da existente em nosso planeta.
Contudo, os cometas são um objeto de estudo importante por serem considerados "restos" da formação do Sistema Solar que continuam vagando pelo Universo. A composição química desses corpos celestes proporciona informações cruciais sobre a matéria presente nos primeiros instantes de nossa galáxia, cujo estudo tem grande importância do ponto de vista geológico, pois apresenta algumas das chaves para se entender como aconteceu sua formação.
"Dizer que a água do 67P é diferente da existente na Terra não elimina a teoria de que os cometas poderiam ter trazido água e/ou vida para nosso planeta. Ele é apenas um dos cometas vagando pelo Universo e a presença das moléculas orgânicas é uma pista importante", diz Daniel Mello, astrônomo do Observatório do Valongo, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Afinal, os cometas se formaram nos confins do Sistema Solar, onde a temperatura é muito baixa e eles podem manter em sua composição materiais como metano ou amônia."
Aspectos do cometa - Até a 'quicada' de Philae foi importante para os cientistas, que conseguiram analisar mais que uma região do cometa. De acordo com os estudos, depois de pousar na região designada para a aterrissagem, que tem uma camada de aproximadamente 25 centímetros, macia e arenosa, o módulo foi parar sobre uma área distante, de consistência rochosa, à beira de uma cratera e em um terreno desnivelado.
Há evidências de erosão na superfície, semelhante à causada pelos ventos na Terra. As medições dos sensores sugerem que a cabeça do cometa tem uma composição bastante homogênea e seu interior é uniforme.
Os cientistas ainda não analisaram todos os dados enviados pela missão, que foi prolongada até setembro de 2016. Os cientistas discutem a possível aterrissagem da nave Rosetta no mesmo ponto onde está o robô Philae, para, talvez, aproveitar mais dados. A sonda estava silenciosa desde o fim do ano passado e, em junho, despertou. No entanto, há algumas semanas os cientistas não conseguem estabelecer conexão com o módulo, levantando suspeitas de que ela pode ter mudado de posição novamente.

Apesar das declarações desastradas, Trump segue em alta


Suspeita de que o magnata cairia nas pesquisas depois de falas contra o senador John McCain não se concretizaram

 - Atualizado em 
Donald Trump, pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos
Donald Trump, pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos(Dominick Reuter/Reuters)
O pré-candidado republicano às eleições dos Estados Unidos, Donald Trump, apareceu novamente à frente na intenção de voto entre os republicanos. Na pesquisa do jornal The Wall Street Journal e da rede de televisão NBC, o magnata aparece com 19%.
Em segundo lugar aparece o governador de Wisconsin, Scott Walker. Em terceiro, Jeb Bush.
Os resultados mostram que as falas controvertidas de Trump não tem afetado seu desempenho. Essa última coleta de opiniões foi realizada depois que Trump disse que o senador John McCain não era um herói de guerra, porque ele teria sido capturado pelos vietnamitas. McCain, que era piloto, foi capturado, preso e torturado durante cinco anos na Guerra do Vietnã.
Os apoiadores de Trump são principalmente brancos de classes baixas e pouca escolaridade. Em geral, estão insatisfeitos com os políticos e acreditam que Trump, ao dizer o que pensa, é mais autêntico que os demais.
(Da redação)

Polícia norueguesa só disparou duas balas em 2014, e ninguém morreu - VEJA.COM


Em um período de 12 anos, somente duas pessoas morreram em tiroteios policiais na Noruega, um país que é exemplo de segurança e estabilidade

 - Atualizado em 
Policiais na cidade de Bergen, na Noruega
Policiais na cidade de Bergen, na Noruega(Stock/Getty Images)
A polícia da Noruega disparou suas armas somente duas vezes no último ano - e ninguém ficou ferido - apontaram novas estatísticas divulgadas pelo jornal britânico The Independent, que revela o baixíssimo uso de armas no país. Em 2014, os oficias noruegueses sacaram suas armas somente 42 vezes, número mais baixo desde 2002. Somente duas pessoas foram mortas em tiroteios policiais nesse mesmo período de 12 anos.
A maior parte dos policiais na Noruega, assim como em países como Grã-Bretanha, Irlanda e Islândia, fazem suas patrulhas desarmados e carregam suas armas somente em circunstâncias especiais. Na Grã-Bretanha, somente uma pessoa foi atingida por policiais em 2014. A Islândia, outro exemplo de estabilidade mundial - foi considerado o país mais seguro do mundo pelo Índice Global da Paz 2015, elaborado pelo Instituto para Economia e Paz - teve sua primeira vítima morta em uma operação policial armada no final de 2013, em um subúrbio de Reykjavik, capital do país.
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Já nos Estados Unidos, onde os oficiais andam armados a todo o tempo, 547 pessoas foram mortas só durante o primeiro semestre de 2015, 503 com tiros de armas de fogo. Nos primeiros 24 dias desse ano, a polícia americana matou 59 pessoas, número maior do que o registrado na Inglaterra e País de Gales nos últimos 24 anos, que é de 55 vítimas. Mesmo que as populações totais desses países sejam bastante distantes, os cidadãos americanos ainda estão 100 vezes mais sujeitos a serem atingidos por tiros de armas policiais do que os britânicos.
O Brasil também sofre atualmente com muitos problemas de violência policial. Segundo os dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1.890 pessoas foram mortos por policiais brasileiros em 2012. No mês de junho, o governo dos EUA divulgou seu relatório anual sobre a situação global dos direitos humanos e no capítulo referente ao país criticou o uso excessivo da força policial e as condições carcerárias nacionais. Em outro documento, elaborado pela organização Human Rights Watch, fica evidente a preocupação com a tortura, maus-tratos, execuções extrajudiciais e outras práticas policiais. A organização aponta também que as autoridades têm feito esforços para conter a violência da polícia, mas que os resultados dessas ações ainda são bastante pequenos.
(Da redação)

PORCO ESPINHO

We Made Tiny Road Signs For Tiny City Residents In Vilnius, Lithuania

FOTOGRAFIAS - BOREAD PANDA

This Is How Birds See The World

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Uma galáxia com 40 bilhões de Terras


Para cientistas, o Kepler-186f foi apenas o primeiro planeta parecido com a Terra a ser descoberto na Via Láctea. O avanço da ciência espacial sugere que a pergunta que há milênios nos intriga — estamos sozinhos no universo? — tem resposta: Não

Por: Rita Loiola - Atualizado em 
Concepção artística de como seria a Via Láctea vista de cima, há milhões de anos luz da Terra
A Via Láctea, vista de cima: muitos outros planetas, além da Terra, podem abrigar vida(Nasa/VEJA)
Na Via Láctea não há apenas uma Terra. Há 40 bilhões delas. O Kepler-186f, planeta fora do Sistema Solar muito semelhante ao nosso, descoberto no último dia 17, provavelmente será conhecido como o primeiro dessa espécie. Em um futuro próximo, contudo, muitos planetas assim, parecidos com a Terra, serão revelados pelos astrônomos.
Com dimensões muito próximas às do mundo onde vivemos, o Kepler-186f deve ser rochoso e composto também de ferro, água e gelo, segundo cientistas. Isso significa que sua atmosfera também deve ser parecida com a nossa. Ele orbita a zona habitável de uma estrela anã - ou seja, uma faixa nem muito próxima e nem muito distante de sua fonte de calor e luminosidade, o que faz com que suas temperaturas não sejam extremas. Essa é uma das características que mais empolgou a comunidade científica: o planeta tem grandes chances de ter água na forma líquida, uma das condições fundamentais para a existência de vida sobre sua crosta.
"Essa descoberta mostra que realmente existem planetas do tamanho do nosso em zonas habitáveis", afirma a astrofísica Elisa Quintana, principal pesquisadora da Nasa responsável pela revelação do Kepler-186f. "Estamos percebendo que há muitos como ele e, por isso, as chances de existir vida em outros planetas é muito alta."
Até 2010 ainda não havia confirmações de que outros lugares no espaço poderiam reunir as mínimas condições propícias à vida - água na forma líquida, energia e algum dos seis elementos fundamentais para a existência (carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre). No entanto, com o lançamento de missões como a Kepler, há cinco anos, e o avanço de telescópios capazes de visualizar e enxergar não só partes longínquas do cosmo, mas também pequenos planetas (do tamanho da Terra ou menores que ela), os cientistas estão percebendo que, sim, há bilhões de planetas que exibem as mesmas características do nosso. E deles, o Kepler-186f é o mais semelhante à Terra até agora. Então por que, entre inúmeras possibilidades, seríamos os únicos privilegiados com a vida?
Para a Nasa, vida é oficialmente definida como "um sistema químico auto-sustentado, capaz de sofrer evolução Darwiniana". Não significa dizer que há animais ou civilizações como as criadas pelo homem em planetas afastados. Mesmo organismos muito simples, como vírus ou colônias de bactérias, significam vida para a Nasa e para as quase 150 missões em todo o mundo que buscam planetas fora do Sistema Solar. Em conjunto, eles tentam responder à questão que inquieta astrônomos desde a Antiguidade: estamos sozinhos no universo? Ainda não chegou a confirmação categórica de que existe vida fora da Terra. Mas o conjunto de evidências, que agora ganhou reforço com a existência do Kepler-186f, indica que a resposta está cada vez mais próxima. E talvez a pergunta a ser respondida nos próximos anos seja outra: que tipo de vida nos cerca?
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A descoberta de mundos - A divulgação do novo planeta mereceu a atenção de todo o mundo porque era aguardada desde a metade do século XX pelos cientistas. Foi nessa época, com o lançamento de telescópios como o Hubble, que os cientistas puderam, finalmente, ter imagens nítidas do cosmo. Com elas, perceberam que vivemos em um universo muito mais rico e cheio de planetas do que antes se imaginava. As novas informações indicaram a possibilidade da existência de diversos sistemas estelares, ou seja, que outras estrelas, além do Sol, têm planetas orbitando ao seu redor. A confirmação dessa hipótese, entretanto, só veio em 1995, quando astrônomos da Universidade de Genebra, na Suíça, identificaram um planeta feito de gás, como Júpiter, em volta de uma estrela, a 51 Pegasi. Assim, faz menos de 20 anos que sabemos que outros sistemas solares, como o nosso, podem povoar o universo.
"Nossa galáxia tem cerca de 300 bilhões de estrelas e estamos rapidamente confirmando a noção de que todas têm planetas rochosos ao seu redor", afirma o astrofísico Stephen Kane, da Universidade Estadual de São Francisco, nos Estados Unidos, coautor da pesquisa que descreveu o Kepler-186f. "Resultados da missão Kepler têm nos mostrado que, quanto menor o planeta, mais comum é sua existência. Assim, parece-nos que planetas rochosos são muito frequentes. Ainda precisamos saber quantos deles estão em zonas habitáveis, mas as primeiras estimativas já mostram que o número também deve ser incrivelmente alto."
A última conta feita pelos cientistas, publicada em novembro de 2013 na revista Pnas, mostra que uma em cada cinco estrelas como o Sol tem pelo menos um planeta do tamanho da Terra em sua zona habitável. Isso significa que só na Via Láctea podem existir 11 bilhões de planetas como o nosso. Se na conta entrarem os planetas ao redor de estrelas anãs, o número sobre para 40 bilhões. De acordo com os autores do estudo - entre eles Geoffrey Marcy, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos,um dos "caçadores de planetas" mais bem-sucedidos da astronomia moderna - o mais próximo pode estar a 12 anos-luz de distância (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros).
Ou seja, os astrônomos imaginavam que planetas como o Kepler-186f existiam aos bilhões, mas ainda não tinham visto nenhum. A cerca de 500 anos-luz do Sol, o novo planeta orbita uma estrela anã, o tipo mais comum em nossa galáxia - elas são mais de 70% das centenas de bilhões de estrelas.
"Há pelo menos um século tínhamos ideias sobre os planetas fora do sistema solar e há mais de cinquenta anos desenvolvemos o conceito de zona habitável. Ainda não contávamos, no entanto, com telescópios potentes para fazer os experimentos e ter as confirmações que precisávamos sobre eles. Agora finalmente possuímos essa tecnologia", afirma Kane. "Nos próximos anos, muitas descobertas devem ser feitas. Só nos dados da missão Kepler há várias, aguardando para serem reveladas."
Missões do futuro - A sonda Kepler, que forneceu os dados para a revelação do novo planeta, foi a grande alavanca para a explosão de novos planetas encontrados pelos cientistas nos últimos anos. Lançada em março 2009 pela agência espacial americana, ela tinha o objetivo principal de procurar planetas parecidos com o nosso, durante quatro anos. Seu telescópio e um sistema de imagens em alta definição são capazes de identificar mesmo planetas considerados pequenos, como a Terra. Em relação ao Hubble, a Kepler tem duas vantagens: capta mais estrelas em detalhes e faz imagens mais nítidas por possuir um filtro que diminui as interferências luminosas e detecta diferentes cores.
Até agora, a maior parte dos planetas revelados por ela tem um tamanho intermediário entre a Terra e Netuno, quatro vezes maior que a Terra. A análise das informações dos três primeiros anos da missão já identificou 3 845 possíveis candidatos a planetas. Desses, 962 foram confirmados.
Como outras missões de busca, a Kepler tem mais facilidade em identificar grandes planetas. Eles são mais visíveis e facilmente monitorados pelos telescópios em regiões longínquas do cosmo. Por isso, grande parte das descobertas são de super-Terras, planetas mais pesados e maiores que Terra, ou gigantes gasosos, bolas de gás como Júpiter, planeta de hidrogênio com massa equivalente à de 317 terras. Lugares assim, no entanto, exibem condições menos propícias à vida - os gigantes gasosos costumam ter uma atmosfera maciça, causando uma grande pressão que praticamente inviabiliza a existência de seres complexos, enquanto as super-Terras têm menor probabilidade de reunir as condições atmosféricas necessárias para garantir a presença de vida.
Por isso, programas espaciais em todo o mundo investem maciçamente em telescópios potentes, capazes de captar planetas menores. Dados e imagens ainda mais precisos que os da missão Kepler - que encerrou a primeira fase de seu programa em 2013 e, no início da segunda fase, chamada K2, teve um problema com o sistema que "mira" o telescópio, mas continua em atividade - virão de programas como aquele que será lançado pela Nasa em 2017, com uma nova geração de telescópios. Nessa data, irá para o espaço o Transiting Exoplanet Survey Satellite (Tess) e o telescópio James Webb, substituto do Hubble. O Tess vai monitorar planetas ao redor de estrelas anãs, enquanto o James Webb pretende examinar a atmosfera desses planetas e procurar substâncias que só poderiam ser geradas por organismos vivos, como os seis elementos essenciais à vida (carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre).
Possibilidade de vida - Quanto mais planetas são descobertos, maior é a probabilidade de achar planetas semelhantes ao nosso e, assim, os astrônomos acreditam que aumente também as chances de encontrar vida em outros lugares do universo. A definição de vida, porém, é algo complexo, que está longe de ser consenso entre os cientistas. O estudo da vida terráquea - o único tipo conhecido até hoje - mostrou que, apesar da grande biodiversidade terrestre, todos os seres são similares: são feitos de células ou, como os vírus, dependem delas; usam ácidos nucleicos como o DNA para armazenar e transmitir informação genética; e possuem um metabolismo similar.
Mas não é impossível a existência de outros tipos de vida espalhados pelo universo. Afinal, mesmo a Terra guarda muitos organismos que ainda são enigmas para os cientistas. Em 2010, pesquisadores da Nasa encontraram uma bactéria em um lago da Califórnia, nos Estados Unidos, que se comporta como um ser extraterrestre: não usava nenhum dos seis elementos fundamentais à existência, mas sobrevivia a partir de arsênio, um elemento altamente tóxico.
"Sabemos que para surgir vida é necessária uma complexidade química mínima, ou seja, moléculas orgânicas e razoavelmente complexas, formadas a partir de elementos básicos. Mas sua origem pode exigir algumas condições especiais. Ainda estamos aprendendo como todos esses elementos se juntam para formar um sistema químico autossustentado, capaz de se reproduzir e evoluir", explica Douglas Galante, pesquisador do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, e do Núcleo de Pesquisa em Astrobiologia da Universidade de São Paulo (USP).
Por isso, os cientistas ainda procuram corpos vivos no espaço de uma maneira "Terrocêntrica", buscando as condições que proporcionaram o surgimento dos seres por aqui: presença de água líquida ou moléculas orgânicas complexas.
"Mesmo a vida que conhecemos tem uma flexibilidade imensa a diferentes situações. Não é impossível imaginar um universo com muitos planetas, alguns mais quentes, outros frios, porém todos com organismos capazes de lidar com essas condições. Talvez em muitos desses planetas que estamos descobrindo as condições sejam extremas demais para atingir a multicelularidade, ou chegar a uma civilização tecnológica como a nossa. Mas, ainda assim, isso mostraria que a Terra não é privilegiada em ter vida", afirma o cientista.
Um cosmo próspero? - Quando se fala da existência de seres animados no espaço, normalmente os cientistas imaginam formas microscópicas, como as primeiras que provavelmente habitaram a Terra em sua origem.
"Se houver vida, como ela funciona? Podemos estar próximo a um momento de descobrir sistemas vivos completamente novos, novas biosferas para conhecer e explorar. É quase como se estivéssemos no papel do naturalista inglês Charles Darwin, em 1800, a bordo do navio Beagle explorando novas terras e toda a sua riqueza", diz Galante.
Para a maior parte dos astrônomos envolvidos com a busca de planetas fora do Sistema Solar, é muito improvável que, em um universo tão cheio de constelações, planetas e sistemas estelares com condições próximas a nossa, a Terra seja o único lugar a ter desenvolvido organismos vivos. "Sabemos agora que planetas semelhantes à Terra são comuns na Via Láctea. Para nosso planeta ser o único com vida na galáxia, isso significa que a vida é algo incrivelmente raro - uma ocorrência em 40 bilhões. Mas, mesmo que a probabilidade seja apenas de 1 em 1 milhão de possibilidades, isso já significaria muita vida só nessa galáxia", afirma o astrofísico Erik Petigura, pesquisador da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.
Se essas hipóteses forem confirmadas nos próximos anos pelos cientistas, esses alienígenas, que podem estar na iminência de serem encontrados, causariam uma grande revolução científica, semelhante à provocada pelo astrônomo Nicolau Copérnico, quando ele formulou, no século XVI, a teoria de que o Sol é o centro do Sistema Solar. Teríamos de aprender que somos apenas mais um planeta - e minúsculo - cercado de bilhões de outros com seres diferentes.
"Uma descoberta como essa teria impactos profundos. Até o momento, o conhecimento que temos parte da hipótese de que a Terra é o único lugar do cosmo onde a vida apareceu e evoluiu. Se for provado que a vida é uma consequência natural da formação de planetas nas zonas habitáveis, assim como foi provado que a formação de planetas é uma consequência natural da formação de estrelas, então isso significa que o universo é, literalmente, fértil em vida", diz o astrofísico Stephen Kane. "O único desafio que permanecerá depois disso será descobrir como atravessar as vastas distância que nos separam desses outros seres."

Os principais candidatos a Terra 2.0

domingo, 12 de julho de 2015

Entrevista com o Princípe Dom Bertrand de Orleans e Bragança

Entrevista com o Princípe Dom Bertrand de Orleans e Bragança

jul 9, 2015 by     54 Comentários    Postado em: Artigos e AnálisesAtualidadesCulturaMeio AmbientePolítica
Por Pedro Jácome
Ontem, eu tive o prazer de conversar com Dom Bertrand, o Princípe de Órleans e Bragança, bisneto de Dom Pedro II.
Pedi uma entrevista a ele, mas a conversa estava tão boa, que apenas pedi que ele me deixasse gravá-la e eu extrairia as partes que mais considerasse interessante.
No texto abaixo, não está nada sobre Império e República, nem as perguntas mais pessoais que fiz a Dom Bertrand, sobre religião e cultura.
Pretendo transcrevê-las posteriormente e disponibilizá-las no meu facebook para quem tiver interesse.
O fato é que encontrei em Dom Bertrand um dos sujeitos mais preparados para discutir o Brasil. Um homem de imensa cultura e extremamente informado. Algumas falas dele podem causar certo estranhamento, é verdade. Mas a conversa de ontem foi bastante enriquecedora, tanto pelas informações, quanto por me colocar em contato com uma perspectiva diferente de mundo. Espero que vocês também aproveitem.
Como a conversa foi bem informal, dividi a entrevista por tópicos em vez de perguntas.
As respostas estão em português falado e não escrito.

AGRICULTURA
Quando foi proclamada a República, o Brasil tinha 12 milhões de habitantes. Quando da Independência, 4. Hoje temos 200 milhões.
Mas temos capacidade de ter muito mais. Você viaja pelo interior e vê que está tudo vazio.
Mas o Brasil tem hoje a capacidade de alimentar um bilhão de pessoas.
O Brasil, aliás, produz alimento para um bilhão de pessoas.
É por isso que nós não estamos tão afundados na crise. Por causa da agricultura.
Hoje, a cesta básica custa, para o povo, a metade do que custava 20 anos atrás.
Atualizando a moeda. Por causa do progresso da agricultura.
Eu viajo Brasil afora e vejo que há terras à vontade para serem cultivadas.
Eu passei minha infância no Paraná. O paraná tem 2,3% do território nacional. É menor que pernambuco. Tem 1/3 de agricultura, 1/3 pecuária e 1/3  de floresta, cidade,etc.
1/3 de 2,3% dá 0,8%. O Paraná produz, hoje, 20% da agricultura nacional. Se 0,8% do território dá 20% da produção, se vê que o potencial é altíssimo.
INDÚSTRIA
O problema é que o governo atual quebrou a Indústria. Destroçou a Indústria. Mantendo o dólar como estão mantendo, com todas as restrições, com o chamado Custo Brasil… Não temos portos, temos impostos colossais…
Sem contar… um automóvel, 50%, 60% custa de impostos. Uma casa popular, 49% são impostos. Feijão, vinte e tantos porcento. Gasolina, 53% de impostos.
POLÍTICA EXTERNA
A política não pode ser uma questão de governo. Não pode estar submetida a um partido que tomou o poder naquele momento. A política externa do Brasil é um desastre.
Esse apoio à Venezuela, à Bolívia.
O caso da Bolívia… o presidente da Bolívia, confiscou manus militaris as refinarias do Petrobras. Logo depois, o Lula ainda o presenteia com mais refinarias petrolíferas.
É uma política que não visa os benefícios da nação, mas uma agenda ideológica para favorecer os países bolivarianos, que são fonte de miséria.
Qual a situação de Cuba? Um desastre! Cuba produz menos açucar hoje do que produzia 50 anos atrás, ou antes de Fidel Castro.
Basta ver as fotografias dos automóveis nas ruas de Cuba, carros da década de 50.
Virou uma ilha prisão.
A Venezuela está quebrada.
O Equador, está uma revolução, por que o Correa quer impor impostos escorchantes. Quer confiscar a propriedade.
Tem uma política inteiramente ideologizada, que tem uma agenda de bolivarianismo marxista.
E o presidente Lula abriu tantas embaixadas, mas hoje várias delas não têm condição de pagar luz, telefone.
A situação dos diplomatas está muito ruim.
CRIMINALIDADE
A crise no Brasil e no mundo é muito mais moral e religiosa do que outra coisa.
Não é só escola. Olha esse pessoal do lava jato, mensalão, dólar na cueca….
Todo esse pessoal é escolarizado. Tem formação universitária.
Não é questão de alfabetização.
Sem se restaurar a moral, não há solução.
MEIO-AMBIENTE
Desde que Cabral desembarcou até hoje, segundo estudos da EMBRAPA, feitos por satélite, com precisão milimétrica, foi desbravado 16% da Amazônia, mas sobretudo Cerrado e Cerradão.
O estado do Amazonas, segundo estudo da Embrapa está em 97% (de preservação), está intacto.
69% da vegetação originária do Brasil está intacta. O Brasil é um dos países que menos polui.
O país que mais polui hoje em dia, é a China, de longe.
2o lugar é os EUA, 3o a Rússia, 4o a índia e 5o o Japão.
A China é responsável por 20 e tantos por cento.
O Brasil, o sexto maior país do mundo, atende por apenas 1,4%.
E, pra completar, falam que o problema é o gás carbônico. Imagina então que vamos combater o gás carbônico. Nós morreríamos todos.
As cidades, sim. Existem ilhas de calor e de poluição.
Hoje, nós temos estudos que provam qual foi o clima nos últimos mil anos.
É bonito porque foram num mosteiro na Suiça e os livros paroquiais franceses.
E se mostra que houve períodos muito mais quentes na idade média.
Os cientistas chamam o “ótimo periodo quente medieval”.
A Groelândia, como chama em inglês? Greenland. Terra verde. Tinha cidade, tinha bispo, tinha agropecuária.
Hoje é um pedaço de gelo.
ONU e ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
É um desastre.
Eu tenho um cunhado, princípe Belga, disse que em Bruxelas, o Parlamento Europeu, é o maior antro de corrupção da europa. São mais de mil lobbies para pagar os parlamentares, para fazer uma lei que favoreça este ou aquele grupo.
A realidade é a seguinte: assim como as plantas tiram sua fertilidade da terrafértil, a vitalidade de um povo não vem de cima pra baixo, vem de baixo pra cima.
Um governo que abstraia esse princípio, que queira reger tudo de cima pra baixo, não pode dar certo.
BUROCRACIA
Luís XIV, no começo do absolutismo, que já foi um erro, porque começou a centralizar…
Bem, ali a França tinha 25 milhões de habitantes, 15 mil funcionários públicos.
Hoje a França tem 50 e poucos milhões de habitantes, tem 1,5 milhão.
O Brasil, nem se fala, né?
A Grécia, então… nunca se viu uma coisa igual.
Cada poste tem 5 funcionários…
SERVIÇOS PÚBLICOS
São Paulo tem boas unviersidades privadas e boas universidades do estado. Um aluno da universidade do estado custa 18 vezes o da universidade privada. Um leito no hospital do estado custa 22 leitos num hospital privado.
O grande problema do Brasil é o custo dos impostos. As pessoas não têm dinheiro pra economizar.
A educação tem dois casos interessantes, duas cidades, Cuiabá e Maringá. Em Maringá, o prefeito vendo os custos da prefeitura pensou… por lei, eu não posso privatizar. Mas ele estimulou grupos de professores a formarem grupos de empresa para que assumissem as escolas, a prefeitura pagaria. Uma concessão.
Depois Cuiabá imitou.
Ele me disse: hoje, as escolas administradas desse modo custam 1/3 do que custam as escolas administradas pelo Estado.
30% dos professores da rede pública têm licença por alergia a giz. Depois tem greve, as salas de aula estão sujas.
Nessas escolas, eles têm tratos: não pode falhar, se falhar tem multa. As escolas são limpas, ordenadas….
PROTECIONISMO
Hoje, você compra no Chile um carro Toyota fabricado no Brasil, pela metade do preço que você compra no Brasil. Por quê? Por causa dos impostos.
Por exemplo, a EMBRAER, tempos atrás, a EMBRAER fabricava aviões, eu sei disso porque eu sou piloto civil, eles faziam aviões muito bons. A EMBRAER é hoje a 3a maior fabricante de aviões do mundo. Os aviões do Brasil pagavam uma carga de impostos colossal, de modo que ficava mais barato comprar aviões estrangeiros, por causa dos impostos daqui. Ou seja, é muito mais o custo do Brasil que outra coisa.
Mas no caso Chinês, os chineses têm a intenção de quebrar a economia dos outros países pra dominar o mercado. Então, isso é outro aspecto, há um certo capitalismo selvagem… tem uma fábrica no Brasil, e vamos fechar pra fazer na China, porque é muito mais barato.
Diante de uma concorrência desleal, o país tem que se proteger.