sexta-feira, 3 de julho de 2020

"A lei da mordaça", por J.R. Guzzo

José Roberto Guzzo sai de Veja e critica a revista | Poder360

Os senadores aprovaram a mais agressiva legislação de censura que o Brasil já viu. Nem o AI-5 permitia a prática da censura em qualquer um de seus 12 artigos

Éuma realidade baseada na lógica, comprovada pela prática de séculos e que há muito tempo dispensa qualquer comprovação através da experiência; não está mais em discussão, ou talvez nunca tenha realmente estado.
Ela ensina uma verdade simples e potente. 
Todas as vezes em que algum governo, em qualquer época, regime político ou lugar deste mundo, quis regular a liberdade de expressão, o resultado foi o mesmo, sem nenhuma exceção: essa liberdade foi reduzida, falsificada ou simplesmente extinta. 
Não é uma questão de ponto de vista. 
É a consequência inevitável da pretensão de melhorar algo que é um direito evidente, por natureza, do ser humano. 
Esse direito não pode, objetivamente, ser melhorado por leis — da mesma forma como não é possível melhorar, por alguma espécie de ato administrativo, o direito do homem a pensar ou a existir. Conclusão: em vez de melhorar, ele só piora, todas as vezes em que se mexe com ele.
É o que acaba de acontecer, nesta corrida cada vez mais descontrolada do Brasil rumo à escuridão, com o “Projeto de Lei das Fake News” no Senado Federal — sem debate público, sem sessão plenária, por “voto eletrônico”, num momento em que o país está arrasado por uma epidemia a caminho de matar 60 mil pessoas e por apenas 44 votos, de um total de 81 senadores. 
Se não há acordo nem entre os próprios senadores sobre o tema, que respeito se pode esperar de uma lei dessas? 
A verdade, pela evidência dos fatos, é que o Senado Federal do Brasil tratou um direito fundamental do homem, incluído como “sagrado” nessa bendita Constituição que não sai da boca de políticos, juristas e pensadores brasileiros em geral, com o pouco-caso de quem está trocando um nome de rua em algum fundão perdido do interior.
Naturalmente, como fazem todas as ditaduras nos momentos em que tentam dar um cheiro de legalidade a ações de banditismo contra os direitos democráticos, os autores da lei disseram que seu objetivo era “aprimorar”, ou até mesmo “proteger”, a liberdade de expressão. 
É mentira, como se pode verificar pela leitura do que está escrito no texto aprovado pelos 44 senadores. 
A autoridade pública — também podem chamar de “polícia” — tem a partir de agora o direito de “rastrear” todas as comunicações feitas pelos cidadãos através dos meios eletrônicos. 
É, para começar, uma violação grosseira do direito à privacidade na comunicação entre as pessoas: pela nova lei, mesmo a sua conversinha num simples grupo de WhatsApp entre os familiares, os amigos ou os vizinhos do prédio pode ser gravada por quem manda nos governos, sem licença da Justiça ou de quem quer que seja. 
Para continuar, é uma agressão direta à liberdade de manifestação do seu pensamento, pois tudo o que você disser poderá ser utilizado contra você — ou contra as plataformas por intermédio das quais as suas conversas são feitas.
Como é possível uma sociedade livre entregar ao Estado a função de decidir o que é verdade e o que é mentira?

Como uma lei que pretende combater a mentira nas comunicações públicas, punindo a transmissão de “notícias falsas”, pode ser construída, ela mesma, em cima de uma mentira? 
O fato é que toda essa lei se baseia na falsificação da verdade. 
Ela pretende castigar o mau uso da liberdade de manifestação, segundo os autores asseguram piedosamente nos seus propósitos — mas isso já é feito, desde 1940, pelo Código Penal Brasileiro. 
A calúnia, a difamação e a injúria são os únicos três crimes que alguém pode cometer utilizando-se do seu direito à livre expressão; até hoje, ninguém foi capaz de descrever alguma outra possibilidade. 
Muito bem: esses três delitos estão previstos nos artigos 139, 140 e 141 do Código Penal, e caso o réu seja condenado está sujeito a penas de multa, prisão ou reclusão. 
Pode ser punido, até mesmo, o crime de calúnia contra um morto. 
Será que já não está bom assim? 
É a regra que vem valendo há 80 anos, sem nenhuma observação em contrário, para as mentiras ditas pela imprensa, ou por outros meios de comunicação. 
Por que, agora, estão achando que é preciso fazer mais?
No que talvez seja o seu pior momento, a lei manda que se forme um “conselho” para julgar o que há de errado e quem errou em tudo o que se diz na internet — um surto de mania de grandeza que, além do mais, pretende “certificar” (ou não) as virtudes dos serviços a ser criados pelos “provedores de redes sociais” e “serviços privados de mensageria” para controlar o que os brasileiros dizem na internet. 
“Conselho”? 
Que raio quer dizer isso? 
Então a Justiça brasileira, com seus 18 mil juízes, desembargadores, ministros, tribunais inferiores, superiores e supremos, não é o lugar certo para julgar as questões que envolvem uma das garantias essenciais da Constituição? 
É uma aberração: ao entregar a uma montoeira indefinida de deputados, senadores, burocratas, diretores de “agências reguladoras”, comunicadores e gente da “sociedade civil” o direito de definir o certo e o errado em tudo aquilo que se diz num celular no território nacional, a nova lei está privatizando a Justiça. 
Como é possível uma sociedade livre entregar a um “conselho” — entregar ao Estado, na verdade — a função de decidir o que é verdade e o que é mentira?
O que os políticos querem é combater tudo o que se possa dizer contra eles e comprar a tolerância do STF

A degeneração moral, lógica e política que os autores da lei criaram autoriza a coleta em massa de informações sobre o cidadão e sobre o que ele vai dizer daqui para diante em seus aparelhos de comunicação — se quiser exercer o direito legal de falar o que pensa, terá de se esconder num canto qualquer onde as autoridades não possam ouvi-lo. 
Você, por acaso, confia na honestidade de quem vai estar na escuta das suas palavras — um senador, por exemplo? 
Está seguro de que ele não vai usar em proveito próprio o que ouviu? 
A lei das fake news, em mais uma das suas deformações tóxicas, também exige que qualquer empresa que queira operar no país através de redes sociais terá de ter “sede no Brasil” — uma patriotada primitiva, ignorante e destrutiva que significa atraso tecnológico direto na veia. 
Acima de tudo, enfim, os senadores aprovaram a mais agressiva legislação de censura que o Brasil já viu. 
Nem o AI-5 de 1968, tido como a pior agressão à liberdade que alguém jamais escreveu num pedaço de papel em toda a história nacional, permitia a prática da censura em qualquer um dos seus 12 artigos. 
Permitia fechamento do Congresso, confisco de bens e negação de habeas corpus para crimes políticos. Mas não permitia censura.
Não adianta, como dizem os autores da lei, garantir que não há censura no texto aprovado, no sentido de proibir alguém de dizer alguma coisa. 
Não há a palavra “censura”, mas há a censura — sempre há, todas as vezes em que a autoridade tem a vontade, ou a pretensão, de julgar o bem e o mal naquilo que as pessoas pensam. 
O fato é que até hoje nenhum país civilizado, onde há o máximo possível de liberdades — e tantas notícias falsas circulando nas redes sociais como no Brasil —, fez nada de parecido com o que está se tentando fazer aqui. 
Não ocorreu a ninguém, até agora, banir a mentira da vida pública de uma nação. 
Alguém acredita que os senadores que aprovaram essa lei sejam os únicos a ver o que mais ninguém viu?
O que condena a “lei das fake news”, acima tudo, é a sua hipocrisia de nascença. 
Nunca foi objetivo de seus patrocinadores combater notícia falsa nenhuma. 
O que os políticos querem é combater tudo o que se possa dizer contra eles (e o que eles fazem) nas redes sociais — e, mais até do que isso, comprar a tolerância, o apoio e a cumplicidade do Supremo Tribunal Federal no julgamento dos seus atos. 
O STF é o verdadeiro inventor dessa deformação agora usinada como lei pelo Senado — e que teve por origem real o medo dos próprios ministros de responder penalmente pelos atos de que são acusados ou suspeitos. 
Todo o resto é conversa-fiada. 
“Protejam a gente; em compensação, vamos proteger vocês quando forem julgados aqui” — essa é a mensagem. 
Não poderiam encontrar parceiros tão dispostos a cooperar. 
O Senado, como todo mundo sabe, é a casa de gigantes da honestidade como Renan Calheiros, Jader Barbalho, Ciro Nogueira e tantos outros heróis da política nacional — esse último, aliás, acaba de ver o próprio STF, por 3 a 2, autorizar seu processo penal por corrupção e lavagem de dinheiro, na condição de chefe do “quadrilhão do PP”. 
Você acha que ele votou a favor ou contra a “lei das fake news”?
“A lei não é contra as notícias falsas, é contra as liberdades individuais. 
Não é contra a mentira; é a favor da censura. 
Não é para defender o cidadão; é para defender quem tem poder de quem não tem poder”, afirmou o deputado gaúcho Marcel van Hattem, do Partido Novo — que, junto com seus colegas de bancada Paulo Ganime, do Rio de Janeiro, e Vinicius Poit, de São Paulo, tem sido uma das vozes mais ativas na denúncia do projeto que passou pelo Senado. 
Eles vão lutar, agora, pela sua rejeição na Câmara dos Deputados. 
É um perfeito sinal dos tempos que as suas vozes não apareçam na mídia que chama a si própria de “grande”. 
Estão confinadas às redes sociais — essas mesmas que os donos do Brasil velho querem calar.

Revista Oeste

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Ideologia über alles: a decadência dos intelectuais.- João Leonardo Marques Roschildt



Se existe um movimento flagrantemente anti-intelectual denunciado por intelectuais, é exatamente aquele que é liderado pelos próprios intelectuais. Famintos por militância “progressista” e empanturrados de ideologia esquerdista, seus membros tem ampla predominância no ambiente acadêmico, seja nos EUA ou no Brasil. Artigo do professor João Leonardo Marques Roschildt, via Gazeta:


O descrédito dos intelectuais contemporâneos surge com a decadência de seus intelectos. Sem qualquer vergonha, nos últimos anos alguns saíram do armário e deixaram as antigas vestes de pensadores para assumirem de vez sua militância progressista. Outros, ainda enrustidos, tentam mascarar suas ideologias coletivistas com posturas sisudas, “técnicas” e isentas. E ainda existem aqueles que travestem suas ideias conforme a “música” do momento.

Se em uma crise de meia-idade descobre-se a perda do brilho da juventude e o início de uma opaca velhice, pode-se afirmar que a intelectualidade se encontra nesse estágio. Seus membros, antes vistos como ilustres sábios por boa parte da sociedade, nos últimos anos caíram em desgraça na mesma proporção de boa parte dos grandes veículos de comunicação. Assim, como as pessoas que atravessam aquela fase da vida, estes intelectuais passaram a conviver diariamente com a insegurança das mudanças sociais e políticas ocorridas. Desanimados com a falta de aceitação social, desenvolveram um saudosismo por um passado político recente “nunca antes visto na história” dos intelectuais. No fundo, a revolucionária intelectualidade contemporânea é bastante reacionária. Em alguns casos, buscando o sossego da solidão como forma de não serem perturbados pelos governos “fascistas” ou cobrados pela sociedade, os mais abonados optaram pelo autoexílio. Nunca nos “paraísos” socialistas, mas sempre em países alinhados com o “demoníaco” capitalismo, como Alemanha, Estados Unidos e França.

As acusações mais levianas sobre a origem dessa rejeição pública à classe intelectual repousam naquilo que poderia ser denominado de anti-intelectualismo. Na essência, esse movimento teria asco a tudo que é produzido por estudiosos nas mais diversas áreas do conhecimento. Nos dizeres da “autoexilada filósofa” Márcia Tiburi, “há um ódio que se dirige atualmente à inteligência, ao conhecimento, à ciência, ao esclarecimento, ao discernimento”, o que definiria o anti-intelectualismo. Em suma, é a negação bestial daquilo que o intelecto humano supostamente é capaz de produzir de mais glorioso para a resolução dos seus problemas.

Mas aqui mora um perigo, visto que em toda impulsiva incriminação há uma ausência de prudência. No caso em questão existe um adicional: a maldade ideológica por parte dos acusadores. Dentro da miopia progressista, o espaço para críticas centrais às suas diversas formas de pensar no mundo deve estar resguardado no esquadro dos aspectos toleráveis definidos pelo próprio progressismo. Em resumo, as mirabolantes ideias de um progressista só podem ser criticadas legitimamente por outro progressista. No jogo de aparências desenvolvido não existe uma real discordância. E todo aquele que afrontar o “tolerável” ou desaprovar alguma “vaca sagrada” da esquerda será classificado como antidemocrático, reacionário, machista, sexista, racista, homofóbico e intolerante. Para estes mestres do pensamento esquerdista, a pluralidade deve ser entre iguais.

Em alguma medida, os que denunciam uma suposta existência no Brasil de um movimento anti-intelectual são bons exemplos do que foi dito e padecem dos males que atribuem a seus antagonistas. Ou, para ficar em um caso, alguém duvida que Márcia Tiburi não é o pleno enquadramento da definição de anti-intelectualismo? Nesse embate, no córner vermelho está o progressismo, ao passo que no córner azul está o conservadorismo, apelidado pejorativamente (e com muita ignorância) de reacionarismo. Desta forma, pode-se afirmar sem dúvida alguma que, na linha de raciocínio progressista, a anti-intelectualidade congrega tudo o que se contrapõe ao seu modus operandi. Para a “fina flor” da falsa erudição, se existe alinhamento mental com o dito “progressismo”, aqui há uma intelectualidade, ao passo que, se sobram proximidades com o conservadorismo, aqui jaz anti-intelectualidade.

Desta forma, o “progressismo” tenta blindar-se das críticas mais contundentes e severas, sempre atribuindo ao seu inimigo uma imaginária aversão à sabedoria e à racionalidade, o que constituiria uma prática irregular para o embate de ideias. Como maciçamente os “especialistas” da grande mídia são “progressistas”, algo que se reproduz (ou é reflexo?) nas universidades, vende-se a ideia de que a menor discordância das ideias “iluminadas” significa o início do obscurantismo. O encanto da maior parte dos veículos de comunicação com essa vanguarda a favor do “progresso” produz a inventiva perspectiva de consenso sobre uma abordagem, o que por inúmeras vezes não corresponde à realidade. O meio acadêmico, recluso em seus prédios, concebe ideias “inovadoras” estapafúrdias que são continuamente aplaudidas entre os pares, o que infla o ego dos “especialistas”.

Em razão de esses experts não lidarem muito bem com a verdadeira oposição de ideias, qualquer rejeição à sua visão de mundo ou agenda ideológica é sinônimo de irracionalidade. Nada mais natural; afinal, um “progressista” crê piamente que seus ideais representam a marcha do progresso. Logo, se alguém é um firme obstáculo às suas convicções, deve ser alguma besta não esclarecida. E se tal atitude “retrógrada” provém do povo, do senso comum, pior ainda; afinal, não se espera algo de diferente do ignorante patuléu que precisa ser instruído adequadamente para pensar e executar as teorias dos visionários de gabinete.

No fim de abril de 2020, uma professora de Direito de Harvard, Elizabeth Bartholet, fez uma severa crítica ao homeschooling, também chamado de educação domiciliar no Brasil. Em sua visão, exposta na Harvard Magazine, tal situação é descrita como extremamente perigosa para as crianças em razão do controle autoritário que os pais têm sobre seus filhos no cenário da educação domiciliar. Com a firme ideia de que este modelo educacional deve ser banido, Bartholet diz que qualquer prática que não oferte uma “educação significativa” (uma educação que faça sentido) estaria violando os direitos das crianças ao impedi-las de contribuírem positivamente para uma sociedade plural e democrática. E, sem titubear, acrescentou que o homeschooling não protege as crianças de serem abusadas, visto que, ao isolarem os infantes do convívio público, principalmente no caso das crianças de 4 a 5 anos de idade, os principais “repórteres obrigatórios”, os professores, que alertam as autoridades diante das evidências que remetem a abusos ou negligências, não conseguiriam cumprir tal tarefa exatamente pelo fato de a criança não estar na escola. De acordo com ela, tais violências perpetradas por pais que defendem o homeschooling são comuns nos EUA.

Ao falar sobre a realidade norte-americana, Bartholet declarou que as situações de homeschooling só estão regulamentadas com as exigências mínimas para que os pais possam executar essa prática em 12 dos 50 estados dos EUA. Isso traz como consequência que há a possibilidade de que pais que não sabem ler possam manter seus filhos longe da escola privando-os do conhecimento, o que, de acordo com a professora, não seria algo incomum.

Fazendo referência a um longo artigo de sua autoria, publicado na reconhecida Arizona Law Review, Bartholet reforça que os pais escolhem a educação domiciliar, de acordo com pesquisas, por inúmeras razões: proteção contra bullying, possibilidade de práticas esportivas diversas ou até mesmo flexibilidade de horários para outras atividades. Mas, na maior parte dos casos (mais de 90%), os norte-americanos optam por retirar seus filhos das escolas porque são cristãos conservadores que não concordam com a cultura “progressista” do sistema de ensino, o que para ela constitui um grave erro, pois estes pais não estariam engajados com os valores democráticos, com o fim da discriminação e com o ideal de tolerância. E a professora reforça que existem casos em que algumas famílias duvidam do valor da ciência, estimulam a subserviência feminina e a supremacia branca.

Assim, frente a este verdadeiro atestado de atrocidades infantis, resta a Bartholet apresentar o seguinte questionamento retórico: “nós achamos que os pais devem ter todo o tempo, essencialmente um controle autoritário sobre seus filhos de zero a 18 anos?” Como uma levantadora de vôlei que coloca a ponteira pronta para finalizar, a professora responde: “Eu acho que é sempre perigoso colocar pessoas poderosas no comando de impotentes, e dar total autoridade aos poderosos”. Logo, banir o homeschooling é a solução.

Bem, sem se dar conta do que falou, Bartholet é exatamente a poderosa que quer guiar os impotentes. Afinal, é a “especialista” que deseja planejar a vida social dos “ignorantes” e “reacionários” pais que não sabem educar seus filhos. Como na crítica “racialista” e “elitista” feita pelo mainstream aos homens brancos, de baixa instrução e do interior dos EUA que elegeram Donald Trump, a “estudiosa” direciona sua raiva aos cristãos conservadores. E é na escola que se aprendem os valores do pluralismo e da democracia...

Esta espécie de “intelectual”, além da mera arrogância que caracteriza boa parte da classe “pensante”, julga-se poderosa o suficiente para modificar, de um gabinete, a vida dos cidadãos. Estes “sábios” acreditam estar vivenciando a ascensão das trevas morais, sociais e políticas por não comungarem de nenhum dos valores conservadores que emergiram nas eleições recentes ao redor do mundo ocidental. E, diante disso, creem que a iluminação típica das divindades esteja pairando sobre suas cabeças para que elaborem ações sociais que “eduquem” compulsoriamente os indivíduos.

No caso da professora, expressando o mais íntimo rancor para com cristãos e conservadores, e generalizando casos pontuais de abusos e maus-tratos com crianças por parte de seus pais para justificar suas alegações, há a construção de uma narrativa que transpõe a luta de classes para dentro do seio familiar, seguindo no melhor esquema dos herdeiros do marxismo. Enquanto os pais são vistos como “poderosos” e “autoritários”, os filhos são classificados como “impotentes”. É a versão de opressores versus oprimidos turbinada pelo homeschooling. Com essa preconcepção entendida como verdadeira dentro da narrativa fantasiosa de Bartholet, existe um firme espaço que legitima o banimento da educação domiciliar. Afinal, como alguém pode defender uma educação que não seja significativa, com abusos, negligências e atos tirânicos dos pais, supostamente algo típico de famílias conservadoras cristãs que defendem a intolerância, o preconceito, o racismo e a misoginia, algo avesso à democracia? Se a narrativa está certa, a professora “especialista” está correta. E como não estar certa em um mundo constantemente narrado por “progressistas”?

Como bem apontou o professor Tom Lindsay em artigo para a Forbes, Bartholet não tem nenhuma evidência que consiga comprovar suas principais alegações, quais sejam, a de que existem abusos constantes contra crianças em educação domiciliar. Citando um estudo do pesquisador Brian D. May, intitulado “Child abuse of public school, private school, and homeschool students: evidence, philosophy, and reason”, publicado em 2018, Lindsay aponta que existem índices relevantes de abusos contra crianças cometidos por funcionários de escolas, exatamente aqueles que seriam “repórteres obrigatórios” para denunciar tais violências. E ainda acrescentou, citando May, que, com os dados disponíveis até o momento, pode-se dizer que “a taxa de abusos de crianças em famílias homeschool é mais baixa do que o público em geral”.

A conclusão mais simples e objetiva é a de que os “especialistas” são pródigos em ideologias e escassos em evidências. Não há laço de amizade entre um “progressista” e os fatos. E Bartholet é só mais um exemplo que resume essa realidade. Estes “estudiosos” para o “progresso” não se envergonham em proferir ideias que não correspondem a fatos porque são adulados pela grande mídia sem sofrer o mínimo desconforto do confronto firme de ideias. Assim, encontram um terreno fértil para atingirem a tradição e as atitudes de vida daqueles que não gozam de seus prestígios: os cidadãos comuns.

Todavia, o Brasil tem “sua” Bartholet. Aliás, com um ano de antecedência e expressando a mesma opinião de Bartholet, o professor Paulo Modesto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), já defendia praticamente as mesmas ideias no ano de 2019. Em texto divulgado no site Conjur, intitulado “Homeschooling é um prejuízo aos direitos da criança e do adolescente”, Modesto não foi modesto nas críticas ao ensino domiciliar.

Defendendo como a escola é um local de aprendizado, de reconhecimento e de “equalização de diferenças”, Modesto diz que o homeschooling “promove o enclausuramento do educando e o torna vulnerável a discursos homogêneos, estritamente vinculados à ideologia dos pais ou de grupos em que estes estejam inseridos (igreja, partido, sindicato), sem participação plural ou o contraditório de outra instância crítica. Há perda da vivência comum ou coletiva, risco acrescido de negligência e violência doméstica, enfraquecimento do sentido de horizonte comum e de cidadania”. Ainda acrescentou que a escola é um local que protege as crianças contra violência doméstica, pois permite a fiscalização comunitária do desenvolvimento das crianças e adolescentes. Só não apareceram as palavras “autoritário” e “perigoso”. Lembrando que “igreja” equivale a cristão e que “cristão”, na mente de “progressistas”, equivale a conservador, logo, na prática, não faltou palavra alguma. De resto, Bartholet parece ter copiado a tese do professor da UFBA, o que mostra o “internacionalismo” do “progressismo”. Claro que os críticos dirão que é uma teoria da conspiração...

Da mesma maneira, as assertivas de Modesto são um produto exclusivo de seu intelecto. Nada do que afirmou guarda correlação necessária com a realidade. Na essência é a sua ideologia que está sedenta pelo poder de determinar os caminhos da educação domiciliar no Brasil. Como pode-se afirmar que há enclausuramento do educando? Ele não pode conviver com outras crianças e adolescentes? E como os filhos ficam vulneráveis às ideologias dos pais sem convívio plural? Na escola brasileira não existem indícios de uma doutrinação ideológica? Pode-se falar em risco acrescido de violência doméstica com base em que evidências? Por qual razão se enfraquece a cidadania? A ideia de uma adequada cidadania só se aprende na escola? Mesmo com o Brasil ocupando péssimas posições em rankings internacionais que avaliam nossos estudantes, a escola é um local de aprendizado? Vivência coletiva só ocorre na escola?

No fundo, Modesto e Bartholet, ao expressarem de forma cifrada que tudo é na escola, nada contra a escola, e nada fora da escola, dialogam com a célebre frase de Mussolini que ajuda a entender o conceito de fascismo: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado”. O fato é que a imaginação totalitária nem sempre se julga totalitária. Tentando esquivar-se do suposto autoritarismo familiar e de todos os males “antidemocráticos” que parecem representar o espírito dos lares daqueles que optam pela educação domiciliar, os dois “pensadores” recaem na fantasia de um mundo perfeito no ambiente escolar. No melhor modelo do seriado de humor Chaves, os intelectuais fazem tudo “sem querer querendo”: rejeitam modelos tirânicos propondo tiranias; defendem a pluralidade de ideias prescrevendo uma única visão de mundo; “livres” de preconceitos e embebidos de tolerância, não perdem tempo em rotular negativamente cristãos e conservadores; criticam as ideologias sendo ideólogos; contrários à discriminação, são campeões em discriminar.

Se existe um movimento flagrantemente anti-intelectual denunciado por intelectuais, é exatamente aquele que é liderado pelos próprios intelectuais. Famintos por militância “progressista” e empanturrados de ideologia esquerdista, seus membros, com ampla predominância no ambiente acadêmico, seja nos EUA ou no Brasil, lançam mão de um sentimentalismo travestido de pseudociência para defenderem agendas doutrinárias importantes para suas causas. Estes “pensadores” refletem o que há de mais anticientífico, paranoico, obscuro, avesso à sabedoria e incapaz de racionalidade que a humanidade conseguiu produzir. Podem ter a chancela de instituições de ensino renomadas, que foram paulatinamente aparelhadas pelo corporativismo “progressista”, mas não escondem o quão afastadas estão suas ideias de uma razoável instrução intelectiva.

A verdadeira anti-intelectualidade é nociva para a sociedade. Mitomaníacos por natureza, estes “sábios” adulteradores da realidade mentem compulsivamente sobre fatos para agradarem seus cúmplices, para obterem notoriedade pública, para ascenderem na carreira universitária e para implementarem suas fantasias teóricas. Não há perigo maior do que estar à mercê destes autoritários.

João Leonardo Marques Roschildt é professor do curso de Direito do Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp) e autor de A grama era verde. 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Os exageros de governadores, prefeitos, juízes etc. - J. R. Guzzo

Os exageros de governadores, prefeitos, juízes etc.

O interesse comum é a última coisa que está sendo levada em consideração. Francamente: você confia, mesmo, no seu governador? E no seu prefeito? E no fiscal que dá ordens em nome deles? Se a resposta for “sim”, pode relaxar. E então? Coluna de J. R. Guzzo, publicada pelo Estadão:


Um dos aspectos mais perversos dos tempos de aflição que a pandemia do coronavírus trouxe para o Brasil tem sido a aberta “partidarização” que as ameaças à saúde geral trouxeram para a gestão do problema todo. A maioria da população, simplesmente, está com medo; não quer se contaminar, nem contaminar as pessoas queridas, e por conta disso está disposta a obedecer às ordens que recebe. O problema, é claro, está em quem dá as ordens. Um mínimo, mas realmente um mínimo, de honestidade, faria qualquer pessoa reconhecer que a autoridade pública brasileira é geralmente um desastre – ou alguém, sinceramente, acha que não é? Pois é essa gente, e ninguém mais, que está mandando: uma manada de 27 governadores, 5.500 prefeitos, 18.000 juízes de direito, ministros de todas as variedades e mais do mesmo. Seu problema não é apenas a incompetência. A maioria deles, desgraçadamente, tomou partido diante de uma questão que deveria ser tratada apenas com o conhecimento científico e a aptidão técnica para gerir a saúde pública.

O resultado é que a população está sendo submetida a decisões que, muitas vezes, não têm nada a ver com as melhores regras para o combate da epidemia. Têm a ver, acima de tudo, com o partido que os governantes tomaram em relação ao problema. A grande maioria tomou o partido que você sabe muito bem qual é: o que vai render mais vantagem política para quem dá as ordens. Uma parte, talvez a mais numerosa, aposta que o grande cabo eleitoral do momento, ou aliado político, é o medo. Estão convencidos que o sentimento mais forte entre a maioria da população, no momento, é o temor pela sua vida; exploram isso, então, tomando partido de tudo o que signifique repressão aos movimentos das pessoas e das empresas. Outra parte acha que os cidadãos estão, mais que tudo, angustiados com a paralisia do País – e jogam suas fichas no enfrentamento com a turma do “fecha tudo”.

Estamos assistindo a muitos dos piores momentos da nossa vida pública recente: um drama humano sem paralelo nas experiências do país ser tratado como um caso de marketing, de dígitos nas redes sociais e de bajulação desesperada aos meios de comunicação. A pergunta que interessa é: se eu fizer isso ou aquilo eu vou ser elogiado na mídia? Ou: como vou me aproveitar dos números, falsificar fatos e mentir, pura e simplesmente, para levar vantagem? O interesse comum é a última coisa que está sendo levada em consideração. Francamente: você confia, mesmo, no seu governador? E no seu prefeito? E no fiscal que dá ordens em nome deles? Se a resposta for “sim”, pode relaxar. E então?


quinta-feira, 26 de março de 2020

O mito da medicina cubana - Karina Mariani

O mito da medicina cubana

O último "milagre", anunciado pela propaganda da ditadura cubana (não riam), é de que a ilha estaria próxima de criar a vacina contra a Covid-19. Artigo de Karina Mariani para o Instituto Independiente:

A los médicos se les dan metas de salud para cumplir o enfrentan sanciones. Esto incentiva la manipulación de los datos.Tomemos como ejemplo la muy elogiada tasa de mortalidad infantil de Cuba. En la mayoría de los países, la relación entre el número de muertes neonatales y las muertes fetales tardías se mantiene dentro de un cierto rango entre sí, ya que tienen muchas causas y determinantes comunes. (…) Cuba, con una proporción de 6, fue un claro caso atípico. Esta proporción sesgada es evidencia de que los médicos reclasificaron las muertes neonatales tempranas como muertes fetales tardías, desinflando así las estadísticas de mortalidad infantil y apuntalando la esperanza de vida. Los médicos a menudo realizan abortos sin el consentimiento claro de la madre, lo que plantea serios problemas de ética médica, cuando el ultrasonido revela anormalidades fetales porque `de lo contrario podría aumentar la tasa de mortalidad infantil’. (…) El papel de la opresión económica y política cubana sobre los ‘buenos’ índices de salud merece más estudios».
Universidad de Texas Tech investigación del sistema de salud (h/t: David Henderson)
Los cubanos están indiferentes ante el coronavirus y tiene lógica, acostumbrados a la carnal batalla diaria por obtener papel higiénico, jabón, detergente, pollo o leche en polvo, el temor a la escasez ocupa, sin lugar a dudas, el principal lugar de sus preocupaciones. Capas geológicas de problemas que amenazan su existencia durante años, dejan poco margen para pensar en el contagio. Los techos de las casas, literalmente caen sobre sus habitantes, falta el agua potable y la libreta de abastecimiento es una oda a la ignominia, ¿y ahora esto? Cuba depende del turismo para subsistir, y la medida de cierre de sus fronteras destrozará una vital fuente de ingresos.

Con este panorama atroz, los propagandistas del régimen se lanzaron a anunciar hace pocos días, que prontamente Cuba tendría la cura para el covid-19. ¡Esto no fue una humorada, de verdad hay gente considerando esta posibilidad! Y es porque durante años, bajo mecanismos de propaganda que requerían de una voluntad férrea del oyente para creer, se ha dicho que la medicina cubana obra milagros. 

Una construcción ideológica

La temeraria afirmación de que Cuba puede producir la vacuna cuenta con un colchón promocional que estratégicamente se ha propagado a lo largo del mundo: la providencial eficiencia de la medicina cubana. Políticos, periodistas, deportistas y otros estultos amigos de la dictadura se han encargado de cobrar para ponderar esta patraña. Tal vez la mentira más fanfarrona que haya sobrevivido a la figura de Fidel. ¿Cómo se construyó esto?

Hace 60 años, Castro instauró una dictadura que era a su vez parásita de otra. Tomadas las riendas del Estado, en nombre de la revolución empezaron los procesos que dieron lugar a los fusilamientos. El castrismo se hizo fuerte a fuerza de paredón, según vociferaba desde los organismos internacionales el carnicero argentino conocido como Che Guevara. El socialismo a la cubana intentó sembrarse en otros países subdesarrollados, pero afortunadamente fracasaron los muchos intentos de implantarlo, y no porque no hayan intentado propagarlo con tenacidad. Argentina misma sufrió las heridas de las intromisiones cubanas, aún no suficientemente condenadas y castigadas. América Latina y África padecieron los delirios imperiales del castrismo. 

Pero ese sueño expansivo se cortó con la caída de la Unión Soviética y Castro debió recurrir al “Periodo especial” cuando ya no pudo parasitar a la extinta URSS. Se trataba de un ajuste intolerable y para sostenerlo Fidel recurrió a una represión sin nombre. El planeta entero conoció la miseria cubana, no había forma de decir que ese averno era un paraíso. ¿Qué podía hacer entonces el aparato de propaganda izquierdista? 

Un nuevo relato se construye alrededor la dictadura insular. Ya no negaban las carencias provenientes del castrismo, no era posible, las pruebas eran irrefutables. Ese sacrificio feroz que se imponía a los cubanos, esa vida patética no era compatible con la idea de exportar las ideas socialistas. Entonces se pone en marcha un relato épico que a la larga va a trascender la ingenuidad demente de la izquierda para instalarse como una verdad de orden mundial: el mito de la salud cubana. 

A lo largo de su historia, el castrismo demostró ser un desastre. La tortura, desaparición y la muerte han sido rutinarios. Esta forma de gobernar tenía una explicación: cuentan que Iósef Stalin le habría dicho a su mano derecha Lázar Kaganóvich, primer secretario del Partido, según un artículo publicado en 1932 por la revista Time, que era necesario “romper algunos huevos para hacer una tortilla”.

Bueno, Fidel Castro había roto todos los huevos posibles, ¡la milonga es que la tortilla no aparecía! ¿Para qué? ¿Con qué propósito? ¿Por qué demonios los cubanos vivían tan horrendamente si no había ninguna tortilla como resultado? Fue entonces cuando cobró fuerza la épica de la educación y la salud cubanos. “No tienen nada pero tienen una educación impecable y una salud de primera” ¿Cuántas veces escuchamos esto?

Un filón

Cuba encontró un filo comercial en el “turismo médico” y posteriormente es el alquiler de médicos al exterior. Los países y los turistas pagan en moneda fuerte que va derecho a las arcas del Estado. Pero el verdadero sistema para el cubano de a pie, es miserable. Hay que hacer mucha fuerza para no verlo, sobran testimonios, sobran denuncias. Sólo basta darse una vuelta por los lugares (no se los puede llamar hospitales) en donde los cubanos caen para ser curados. Si un cubano debe terminar con sus huesos en un hospital debe llevar sábanas, jabón, toallas, comida, y (obvio) papel higiénico. Si hay equipamiento, es obsoleto, los guantes y máscaras se reciclan y en estas condiciones han vuelto enfermedades del pasado. Fidel los llevó a la edad media y de la edad media tienen tuberculosis, lepra y fiebre tifoidea.

Los cubanos, son cada vez más pobres y menos libres. Ya más de tres generaciones nacieron hacinadas en caserones roídos, obligadas al “trabajo voluntario” dominical. Esta es la petulante “pobreza digna” de la que nos hablan los que apoyan la dictadura. Dicen que la Cuba de Batista era un casino para los yanquis, bueno, la Cuba actual no es un casino, es un prostíbulo desvencijado para turistas del resto del mundo.

Por eso necesitan que existan, a como dé lugar, los “logros de la revolución”, Salud y Educación: pero el deterioro de la educación es notable, sobre todo en los últimos 30 años, en los que se puso en marcha, debido a la falta de profesores, el plan “maestros emergentes”. La corrupción y la presión del régimen por sostener estas mentiras, han carcomido a la institucionalidad educativa y es frecuente que los profesores vendan los exámenes o cobren a sus alumnos por aprobarlos (existen muchas bromas y hasta programas de tv con esta problemática).

En cuanto a la salud, la exportación de servicios médicos se ha convertido en una de las principales fuentes de ingresos para Cuba. Esta necesidad hizo que el gobierno recurra a la formación de “especialistas emergentes”, graduando a alumnos con cursos más cortos. La preparación de los médicos cubanos ha sido puesta en tela de juicio en Brasil, Bolivia, Costa Rica o Chile que han calificado de deficiente la formación de los médicos cubanos que buscaban la revalidación. Es conocido el caso de los estudiantes paquistaníes que cursaron medicina en Cuba y al regresar a su país no podrían aprobar la prueba del Consejo Médico y Dental paquistaní para revalidar sus títulos.
«…un frasco pequeño de tetraciclina cuesta 5 dólares y un tubo de crema de cortisona le costará hasta 25 dólares. Pero no están disponibles en la farmacia local, que no tiene casi nada de mercancía. Incluso los productos farmacéuticos más populares, como la aspirina y el alcohol, están notablemente ausentes. (…) Los antibióticos, son muy escasos y solo están disponibles en el mercado negro. La aspirina se puede comprar solo en las tiendas de dólar administradas por el Gobierno, que venden medicinas populares a precios muy altos en dólares estadounidenses. Esto los pone fuera del alcance de la mayoría de los cubanos, a quienes se les paga poco y en pesos. (…) Los turistas tienen todo lo que necesitan… Pero para los cubanos es diferente. A menos que usted trabaje con turistas o tenga un pariente en Miami que le envíe dinero, no podrá obtener lo que necesita si se enferma en Cuba. Como médico, esto lo encuentro asqueroso»,
(National Post de Canadá, 2004)
«el Gobierno cubano continúa respondiendo a las críticas internacionales a su historial de derechos humanos citando… elogios por sus logros en salud y medicina… las descripciones inequívocamente positivas del sistema de salud cubano en la literatura de las ciencias sociales son un tanto engañosas. A finales de la década de 1990, seguí a médicos en clínicas de salud familiar, viví en comunidades locales y traté de participar en la vida diaria en la medida de lo posible. A lo largo de esta investigación, encontré una serie de discrepancias entre la forma en que el sistema de salud cubano ha sido descrito en la literatura académica, y la forma en que parece ser descrito y experimentado por los propios cubanos. (…) los cubanos no parecían tener una visión muy positiva del sistema de salud en sí mismo. Algunas personas se quejaron informalmente ante mí que los escasos suministros médicos a menudo eran robados de los hospitales y vendidos en el mercado negro. La crítica pública al gobierno es un crimen en Cuba, y las penas son severas. Obtener formalmente narrativas con críticas sobre el cuidado de la salud sería visto como un acto criminal tanto para mí como investigador, como para las personas que hablaron abiertamente conmigo. (…) Uno de los problemas más evidentes del sistema de salud en Cuba es la grave escasez de medicamentos, equipos y otros suministros».
Katherine Hirschfeld en la Universidad de Oklahoma (h/t: Scott Johnson)
Vocación de creer pavadas

¿Se entiende de lo que estamos hablando? ¿Cuánta vocación para creer pavadas hay que tener para pensar que existe la excelencia de la medicina cubana?

Señores, es de necios no entender que en estas condiciones de miseria y opresión, esta falta del equipamiento más básico, de desconexión con los avances científicos y tecnológicos del resto del mundo es imposible tener calidad científica de ninguna índole. Ni internet libre tienen para estudiar o publicar. Ni electricidad permanente para aparatos de diagnóstico, ni los aparatos, claro. ¿Cómo van a tener medicina buena en esas condiciones? Ni el agua tienen garantizada.

Así y todo, la vicepresidente argentina esta semana volvió con su hija al país, haciendo loas al gobierno cubano y a su sistema de salud con estas declaraciones:
"Me pongo a pensar cuánto tiempo pasé este último año en La Habana: casi cien días. Y siento que aunque tuviera cien vidas, ellas no me alcanzarían para expresar mi agradecimiento a esta Cuba solidaria, castigada por los poderosos pero digna y altiva.

Esa Cuba que estuvo junto a mí en un momento muy difícil de mi vida, que le tendió su mano a mi hija sin especulaciones y que la cuidó y protegió cuando la feroz persecución mediática y judicial dañó severamente su salud.

Esa Cuba de médicos y médicas que ejercen su vocación con compromiso, con un criterio profundamente humanista y que con diagnóstico preciso, por primera vez, le brindaron a Flor las herramientas que necesitan aquellos y aquellas que han perdido su salud.

Esa salud que, en tiempos de pandemias con ribetes bíblicos, vuelve a ser un bien comunitario que exige de todos y todas solidaridad, humanismo y, sobre todo, compromiso social".
Una ruinosa dictadura cuyo objetivo más sagrado es propagar el socialismo no puede sino mentir sus estadísticas e índices. Cuba es el país que tiene más médicos en el mundo, con el salario más bajo, por supuesto y sin acceso al trabajo privado. Esto le permite al régimen alquilarlos (esta es la palabra correcta, y si, se parece mucho a la esclavitud) a terceros países lo que constituye el principal ingreso de Cuba por exportaciones al exterior. ¡Es indignante pensar que hace sólo medio siglo Cuba era más rica que Italia! 

El mito de la medicina cubana es la última cruzada de la dictadura castrista. Continuar abuenando a una tiranía inhumana con estadísticas mentirosas y curaciones milagrosas no es sólo mentir, es ser cómplice. Van 60 años de opresión y muerte, tapados con turismo y mercachifles. En 1953, Fidel ensayó ante el tribunal la pieza fetiche, que más tarde usó la mismísima vicepresidente argentina: “La historia me absolverá”. Ojalá que no, ojalá se demuela pronto el mito de la medicina cubana.

segunda-feira, 23 de março de 2020

"Rodrigo 'botafogo' Maia e Grupo Band ajoelhados diante do inimigo, a China, produtora do vírus assassino", segundo Fábio Gonçalves

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A postura servil e vexatória do Grupo Band e do presidente da Câmara diante da China mostra que as elites nacionais perderam toda consciência cívica e amor pelo Brasil.

— Senador Luís Carlos Prestes, se houvesse uma guerra entre Brasil e União Soviética, o sr. lutaria por qual lado?
Respondeu o senador, sem titubear:
— Pela União Soviética.




Conta-se que o estopim para a guerra entre gregos e persas se deu quando um embaixador do país asiático, tendo se dirigido malcriada e desdenhosamente ao rei de Esparta, o bravo guerreiro Leônidas, em solo lacônico, foi imediatamente assassinado.

A Grécia, naqueles tempos, era nada mais que um conjunto de cidades-estados, cada qual gozando de total independência política perante as demais. Não havia uma organização que juntasse as pólis helênicas em torno de um projeto de poder nacional, não havia nem sombra de um exército profissional unificado. Os gregos eram um povo diminuto, uns camponeses e pescadores espremidos entre as montanhas pedregosas do Balcãs ou dividido pelas centenas de ilhotas do Egeu.   

Do outro lado, havia o maior império da época. A Pérsia de Dario, Ciro e Xerxes apinhava em torno da suntuosa Pasárgada gente de todas as raças, desde a africana Líbia até as bordas Rio Indo. Era um povo pujante, rico, de cidadãos inumeráveis. Na guerra, eram devastadores. Seus governantes diziam-se semideuses, senhores das quatro direções do mundo.

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Na semana que passou, o deputado mais votado do Brasil, filho do presidente da República, compartilhou um texto em suas redes sociais no qual se atribuía aos governantes da China a culpa por toda a crise mundial ocasionada pelo vírus de Wuhan.

O texto argumentava que o Partido Comunista Chinês teria omitido ou deturpado dados importantes sobre a nova peste, informações que poderiam ter evitado, lá no início, a pandemia. Segundo o autor, queria-se com isso, como nos tempos da Chernobyl da União Soviética, evitar um desgaste internacional, deixar limpa e inocente a imagem da ditadura de Pequim perante a opinião pública.

Em resposta, o embaixador da China no Brasil, o sr. Yang Wanming, escreveu mensagens grosseiras, despudoradas, exigindo pronta retratação do parlamentar. Ademais, compartilhou uma publicação que fazia ataques abertos à família presidencial. Falou como um suserano diante de seus comandados.

Na sequência, o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, como que para encerrar a discussão e visando não comprometer, para além do estrago inicial, a relação amistosa entre os dois países, de um lado rechaçou as declarações de Eduardo, asseverando que elas não condiziam com a posição oficial do governo, e, do outro, cobrou desculpas do embaixador asiático pelo tom desproporcional e extremamente agressivo da sua resposta.

Como tréplica, Wamming bradou ainda mais alto, dando mais a ver os dentes afiados. Chegou mesmo a nos ameaçar, dizendo que “sempre se dá mal” quem se atreve a mexer com os chineses. Falou como um monarca diante de um servo piolhento.

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Ninguém esperava que se levantasse um Leônidas contra o diplomata chinês e nem que se declarasse guerra ao país de Xi Jiping. Nem mesmo que rompêssemos, de uma hora para outra, parcerias comerciais que se sabem essenciais às nossas economias.
Entretanto, como fôssemos uma nação de gente honrada, de gente briosa, esperava-se que:

1. o embaixador, depois de nos tratar como se a bichos terceiro-mundistas, a vira-latas universais, a leprosos mendicantes, fosse o mais cedo possível afastado de suas funções, e que Pequim dissesse palavras em desagravo;

2. que o conjunto da população, mesmo os que não concordaram com o posicionamento do deputado, e até quem, de comum, faz oposição ao governo Bolsonaro, repugnasse o tratamento vil que o sr. Wanming nos dispensou.

Pois, voltando ao exemplo antigo, mesmo com o erro diplomático de Leônidas, os demais gregos, uma vez que, malgrado as diferenças pontuais de ordem política e econômica, se viam espiritualmente irmanados, uniram-se como suicidas na guerra contra um inimigo infinitamente superior e, no fim, milagrosamente, impediram a invasão do império arrogante e conseguiram salvaguardar seu território, suas mulheres, seus filhos, seus velhos, sua língua e seus deuses.

Não obstante, o que vimos foi uma das mais abjetas demonstrações de servilismo e submissão de toda a nossa história — história feita por homens que não se curvaram aos portugueses sediciosos do Porto, aos ingleses vitorianos, aos EUA.

Vimos políticos e profissionais da grande mídia, sob as mais torpes justificativas, pedindo perdão ao embaixador, como se filhos amedrontados diante do pai severo. Vimos o presidente da Câmara dos Deputados, a Casa do Povo, afagando o agressor estrangeiro enquanto condenava cabalmente o compatriota. Colocando a disputa política circunstancial acima do amor ao país de seus pais e avós, da nação que lhes deu um idioma, uma cultura, da terra que lhes deu o alimento, milhares de pessoas compartilharam as descomposturas do diplomata forasteiro, achando graça naquilo, dizendo bem-feito ao deputado ofendido como se a humilhação a um dos nossos não mais dissesse respeito a todos nós.

O cúmulo dessa traição nacional veio do Grupo Bandeirantes.

A empresa de João Saad, que recentemente fechou uma parceria milionária com o China Media Group — a assessoria de imprensa do Partido Comunista Chinês, a mais longeva e das mais cruéis ditaduras que ainda vicejam no mundo — emitiu um editorial macabro chamando o nosso parlamentar de imbecil e imaturo, o nosso chanceler de idiota e inepto, e o governo cínico de grande amigo.

As palavras, a expressão do rosto, a rispidez com que o âncora do Jornal da Band leu o referido editorial, lembraram, mais que o famigerado vídeo do ex-secretário da Cultura, Roberto Alvim, uma obra do propagandista Joseph Goebbels.
A diferença é que o Grupo Bandeirantes, ao contrário de Alvim, não fez alusão a uma ditadura morta, cujos partidários, hoje, se é que existem, não passam de moleques sociopatas escondidos atrás de avatares obscuros na deep web. A Band fez propaganda escancarada à mais viva e poderosa das tiranias que há mundo contemporâneo.

Que isto não tenha causado uma comoção nacional, já é prova suficiente de que, ao contrário dos gregos de Maratona, não há mais uma comunidade de espírito entre os brasileiros.

Fôssemos invadidos amanhã pelo império comunista chinês, seus capachos aqui no Brasil, homens e mulheres espalhados na elite política, intelectual e midiática, engrossariam as fileiras asiáticas – sem titubear.
Fábio Gonçalves, Brasil Sem Medo·